Falar sobre saúde também é uma forma de cuidar da convivência. Foi com esse olhar que o Senac São Paulo lançou o novo episódio da websérie Conviver Senac, desta vez com foco no Dezembro Vermelho, campanha nacional de prevenção ao HIV/Aids e a outras IST (infecções sexualmente transmissíveis).
Intitulado "HIV e IST: informação também é prevenção", o episódio coloca em pauta temas que ainda são considerados tabu por muitas pessoas: sexo, prevenção, cuidado com o corpo e o impacto do preconceito.
A iniciativa busca ampliar o diálogo e fortalecer vínculos - com o outro e com a própria saúde - por meio da informação.
Conversas que transformam
O episódio contou com a mediação de Wilson Krette Júnior, gerente do Senac Lapa Scipião, e reuniu dois nomes com trajetórias marcantes na área: a jornalista Roseli Tardelli, fundadora da Agência de Notícias da Aids, e a enfermeira Mariana Rodriguez Santiago, especialista em infectologia e docente do Senac Tiradentes.
Logo no início da conversa, Roseli trouxe uma perspectiva pessoal e profunda sobre o impacto do HIV. Ela compartilhou a história de seu irmão, diagnosticado com o vírus na década de 1990 - período que descreve como "a década da tragédia". Naquele tempo, faltavam medicamentos, políticas públicas eficazes e, acima de tudo, empatia.
O diagnóstico vinha acompanhado de preconceito - institucional, social e familiar. E, mesmo décadas depois, parte desse estigma ainda persiste.
HIV e Aids: não é tudo a mesma coisa
O episódio também ajudou a esclarecer um ponto que ainda gera dúvidas: HIV é o vírus da imunodeficiência humana; Aids é a síndrome causada pela queda das defesas do organismo quando o HIV não é tratado.
Ou seja: quem vive com HIV e realiza o tratamento adequado pode ter qualidade de vida e não desenvolver Aids.
Graças ao avanço da ciência e às políticas públicas, hoje existem tratamentos eficazes, como os antirretrovirais. Em 2008, pacientes chegavam a tomar até 25 comprimidos por dia. Atualmente, o tratamento padrão envolve apenas dois medicamentos.
Avanços, sim. Mas o preconceito ainda existe
A ciência evoluiu, o SUS garante acesso gratuito aos medicamentos e a informação está cada vez mais disponível. No entanto, o preconceito infelizmente ainda persiste. Falar abertamente sobre viver com HIV exige um ambiente de acolhimento e respeito.
Segundo as especialistas, esse estigma está diretamente ligado à falta de diálogo. Em muitas casas, escolas e até entre amigos, a sexualidade ainda é um assunto evitado. E isso tem consequências graves: de acordo com o Ministério da Saúde, os casos de HIV entre jovens de 15 a 29 anos aumentaram mais de 160% nos últimos dez anos.
Prevenção: o que já temos e o que ainda precisamos
Durante o bate-papo, as convidadas apresentaram as ferramentas disponíveis gratuitamente no SUS. Entre elas:
Prevenção combinada: conjunto de ações que inclui o uso de preservativos, testagem, tratamento e acesso à informação.
PrEP (profilaxia pré-exposição): medicamento que evita a infecção quando tomado antes da relação sexual.
PEP (profilaxia pós-exposição): tratamento de 28 dias, iniciado até 72 horas após uma situação de risco.
Carga viral indetectável = intransmissível: pessoas em tratamento que atingem carga viral indetectável não transmitem o vírus.
Informação salva vidas
Mais do que seguir protocolos, a verdadeira prevenção começa com informação de qualidade e acolhimento.
A internet pode ser uma aliada, mas também um espaço de desinformação. Por isso, as convidadas recomendam buscar canais confiáveis, como a Agência de Notícias da Aids, unidades básicas de saúde e profissionais da rede pública.
Roseli também destacou uma inovação do SUS na cidade de São Paulo: máquinas de PrEP disponíveis em estações de metrô como Consolação, Luz e Santana - um avanço que poucos países oferecem.
HIV não tem idade, e a escola é espaço de cuidado
O episódio também trouxe luz a um tema pouco falado: o aumento de casos de HIV entre pessoas com mais de 50 anos. Sim, a terceira idade também é sexualmente ativa - e precisa ser incluída nas campanhas de prevenção.
Nesse contexto, o ambiente escolar tem um papel essencial. Para muitos jovens, é na escola que surgem as primeiras conversas sobre sexualidade, afetividade e saúde.
Dezembro Vermelho no Senac: um compromisso que vai além do mês
Desde 2017, o Senac apoia o Dezembro Vermelho com ações educativas que envolvem estudantes, docentes e a comunidade.
A campanha promove o acesso à informação, combate o preconceito e reforça a importância do cuidado com o corpo, com o outro e com a convivência.
"O HIV não escolhe. Pode acontecer com qualquer pessoa. O que pode fazer a diferença é a informação".
Roseli Tardelli
Assista agora ao segundo episódio da websérie Conviver Senac no canal do Senac São Paulo:
BARRA DE PROGRESSO - FINAL DO CONTEÚDO