Aos oito anos de idade, Ronaldo Pacheco, estudante formado pelo Senac Largo Treze e Centro Universitário - Santo Amaro, tinha como hábito acompanhar o pai na empresa onde trabalhava como metalúrgico, para ler documentos antes dele assinar.
O senhor Raimundo não sabia ler, por isso necessitava da ajuda do filho para resolver questões mais burocráticas. Não podia correr riscos. Claro que, naquela época, Ronaldo não imaginava que as visitas à empresa do pai o ajudariam a determinar o seu futuro e a escolher a sua profissão despertando o desejo de ajudar pessoas.
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Mas antes de entrar na fase do primeiro emprego como Jovem Aprendiz vamos voltar no tempo e relembrar o sonho do Ronaldo quando era criança e, ainda, a inspiração depositada em um primo, vendedor de seguros, que trabalhava de terno.
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Ronaldo conseguiu chegar muito além do que esperava. Ele explica que a sua trajetória deu muito certo graças à educação que recebeu dos pais.
Reconhece na sua evolução profissional a importância de preservar a humildade e não esquecer de onde veio: a moradia de dois cômodos para quatro pessoas e, principalmente, a história dos seus pais, da qual se orgulha muito de contar.
Seu pai veio de uma cidade pequena do Nordeste (Santana de Mangueira), onde começou a trabalhar aos sete anos na coleta de algodão, para ajudar a família.
Vivia em uma casa com pouco conforto, 11 irmãos, sem energia elétrica e sem água encanada. Não conseguiu concluir o ensino fundamental.
Aos 27 anos, o senhor Raimundo veio para a cidade de São Paulo, na década de 1980, em busca de oportunidades, junto a muitos outros nordestinos que migraram para os grandes centros naquela época durante um dos piores períodos de seca na região onde viviam.
Começou como ajudante de pedreiro até se tornar metalúrgico e, mais tarde, líder de turno em uma indústria de moldes de plástico.
A história da mãe de Ronaldo não foi muito diferente. Chegou à capital paulista aos 16 anos para cuidar de pessoas idosas, depois trabalhou em casas de família e em um salão de beleza enquanto vendia marmitas para complementar a renda.
Ela também veio de uma cidadezinha pequena, de Minas Gerais (Brejinho), onde sua casa não tinha energia elétrica. Conseguiu estudar até a quinta série, apesar de ter começado a trabalhar aos nove anos também ajudando a sua família.
O sonho de dona Maria Neuza era conhecer uma cidade iluminada, como São Paulo.
Em um dia qualquer, há mais de 30 anos, Raimundo e Maria Neuza se conheceram, se apaixonaram e se casaram na capital paulista.
Além de defenderem princípios fundamentais para a formação do caráter dos filhos, o casal fazia questão de transmitir a importância da família e dos estudos.
"Minha mãe cultivou muito a rotina e a convivência em família. Era a nossa marca, que eu trago até hoje comigo."
Os pais, mesmo sem alfabetização, tinham muita expectativa em relação à educação dos filhos, que foram criados para levar a escola muito a sério.
E assim aconteceu com o Ronaldo desde o ensino fundamental. Não tinha desculpa para não estudar, fazer tarefa e cumprir com as obrigações escolares.
Ele sempre foi um bom aluno, recebeu certificados de honra ao mérito e outras premiações.
"Os professores fizeram muita diferença na minha vida. Eles pegaram na minha mão. Uma vez, tirei nove em uma prova e uma professora me chamou e disse: 'Vou te ensinar a tirar um 10.' E o meu objetivo era orgulhar meus pais."
Na transição do fundamental para o ensino médio, Ronaldo trabalhou numa granja, limpando frangos.
Depois de sete meses, mudou de emprego para atuar como aprendiz na área de Recursos Humanos (RH) de uma empresa de importação e exportação.
Para preencher a vaga, precisou fazer uma redação em inglês, idioma que nem sabia muito bem. O tema escolhido para redação foi 'I have a dream' (eu tenho um sonho). Não se poupou; se preparou muito até ser escolhido.
Não demorou muito foi promovido para estagiário. E durante tantos acontecimentos, recebeu a notícia de que a namorada estava grávida do Bernardo. Houve uma reviravolta na vida dele.
Mudou da casa dos pais para formar a sua própria família. O dinheiro ficou muito justo para pagar aluguel, entre outras coisas. Mas nada disso impediu Ronaldo de realizar o seu sonho.
Nesse mesmo período, Ronaldo resgatou o desejo de fazer faculdade. Investiu no Enem, porém não conseguiu a bolsa que desejava. Partiu para uma segunda alternativa, sem perder de vista a área de RH.
Pela empresa onde trabalhava, conseguiu um bom desconto para fazer o curso Técnico em Recursos Humanos, no Senac Largo Treze, com 17 anos.
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Em sete anos nessa empresa, Ronaldo teve um crescimento exponencial. Saiu de lá como Analista Sênior.
Como havia prometido para ele mesmo, voltou a prestar o Enem para tentar cursar a faculdade de RH, obviamente. Com a nota que tirou, entrou em dois cursos e optou pelo Bacharelado em Ciências Contábeis, no Centro Universitário - Santo Amaro.
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Ronaldo tinha apenas 22 anos quando assumiu o cargo de especialista em RH, para atender a América Latina, exigindo mais experiência com o inglês e o espanhol.
Permaneceu aí um ano, até o final do bacharelado, quando recebeu um convite de um diretor da terceira maior empresa de logística global, que atua em mais de 150 países.
A vaga era para o cargo de coordenador/gerente de remuneração e benefícios, para cuidar de quatro países: Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
De novo precisou do inglês para a entrevista. Ficou meio assustado, mas enfrentou o desafio e foi aprovado. Recebeu apoio total da Mariana, com quem está casado há mais de cinco anos.
Inclusive, ela incentivou Ronaldo quando ele recebeu o segundo convite dessa mesma empresa. Mariana ficou no Brasil, grávida de Marcela, enquanto o marido era avaliado para uma vaga em Marselha, cidade portuária do sul da França.
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Passados três meses, Ronaldo recebeu a notícia de que foi contratado e partiu com a família, Mariana, Bernardo e Marcela, para viver na França. Ele saiu da área gerencial e passou a ser expert de remuneração e benefícios global.
Seis meses foi o tempo de todos se adaptarem. Foram dois anos de muito aprendizado para Ronaldo, até receber outro convite da empresa, propondo uma nova mudança, para um novo país, com o cargo de gerente sênior de remuneração e benefícios.
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Calma, vem mais surpresas por aí!
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Ronaldo seguiu trabalhando nos Estados Unidos, mas também é conselheiro na França para projetos globais. Nas horas vagas, atua como voluntário: compartilha o que colheu, oferecendo mentoria gratuita para ajudar jovens no desenvolvimento de carreira.
O diretor reconhece o que colaborou por ter conseguido uma jornada promissora. E pelo seu histórico de crescimento, os seus planos não vão parar por aí.
E este é o universo do Ronaldo: usa terno todos os dias e é diretor de RH aos 27 anos em uma das maiores empresas de logística, no estrangeiro.
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