A trajetória do empresário Fagner Saturno mostra como a educação mudou o rumo da sua história. Nascido e criado na zona sul de São Paulo, ele cresceu em um contexto de vulnerabilidade. A ausência do pai, desde os seis anos, e as dificuldades financeiras moldaram a sua infância.
Ainda jovem, passou pela Fundação Casa e, depois, pelo sistema prisional, onde permaneceu por alguns anos.
Quando saiu, encontrou mais barreiras do que oportunidades. Chegou a ser aprovado para uma vaga, mas foi impedido de assumir por ser ex-detento.
Frustrado e desanimado acabou parando na Praça da República diante da Secretária Estadual da Educação, na capital paulista. Foi um dia emblemático.
Ele retomou os estudos, concluiu o ensino médio e decidiu investir em uma formação profissional. Nesse período, passou um tempo em Paraty (RJ), onde trabalhou em restaurante como garçom e depois gerente.
Foi ali que percebeu uma possibilidade concreta de carreira: tornar-se guia de turismo.
De volta a São Paulo, ingressou no curso Técnico em Guia de Turismo no Senac Aclimação e, mais tarde, também fez o curso de Gestão de Projetos Sociais.
Durante esse período, a rotina era pesada. Trabalhava como motoboy durante o dia e ia para o curso à noite - muitas vezes de bicicleta para economizar. Criou um jeito de estudar para acompanhar as aulas depois de tanto tempo longe da sala de aula.
O esforço apareceu, principalmente, nas visitas técnicas. Uma delas foi uma apresentação marcante no Itaú Cultural, na cidade de São Paulo.
"Naquele dia foi uma virada de chave na minha vida."
Durante o curso, passou a desenvolver uma linguagem própria como guia, incorporando suas vivências e referências culturais. Em uma visita ao Beco do Batman, na Vila Madalena (SP), por exemplo, a ideia era fazer um roteiro de Arte Urbana, um universo que conhecia desde a adolescência.
Percebeu que queria ser um guia de turismo com uma linguagem mais solta, utilizando referências que tinham mais a ver com ele.
Essa descoberta e a experiência como voluntário em uma ONG que fazia passeios de bicicleta nos finais de semana, abriram espaço para que iniciasse o próprio negócio.
O Cria Sampa nasce para oferecer roteiros de passeios durante o dia e noite, principalmente, a empresas. O Itaú foi uma delas, que um tempo depois patrocinou o Fagner para o trabalho social que realizava com egressos, ensinando mecânica de bicicleta. O empreendimento Cria Sampa evoluiu para o Instituto Cria Conexões. Foram três anos de parceria.
Quando realizava passeios de bicicleta na cidade, conheceu o ex-prefeito Bruno Covas, com quem passou a ter contato frequente. Essa conexão contribuiu para que assumisse a gestão de um espaço público na região da Água Espraiada, onde passou a desenvolver atividades comunitárias e eventos.
Com isso, lançou a Cria Company, uma empresa voltada ao monitoramento de obras e contratação de mão de obra local, especialmente em regiões periféricas. A iniciativa cresceu, reunindo centenas de colaboradores, muitos deles em situação de vulnerabilidade.
Ambas as empresas mantêm um objetivo comum: gerar oportunidades e transformar realidades por meio da educação e do trabalho.
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