Na década de 70, o Nordeste sofreu uma das suas piores secas, obrigando muitas famílias a deixar suas casas para buscar melhores condições de vida em centros maiores.
As consequências da fome resultaram em muitas tragédias, como a que ocorreu com o avô do empresário Sidney Bruno da Cruz, que desesperado, sem saber como alimentar os 13 filhos, acabou tirando a própria vida.
O pai de Sidney, um dos filhos mais velhos da família, ajudou a mãe a criar os irmãos, aprendendo desde cedo que precisaria batalhar muito porque a sua vida não seria fácil.
E não foi mesmo, como conta o empresário, um dos sócios da startup social Comuta Arquitetura, que realiza reformas em comunidades e periferias.
Em 1993, a sua família migrou de Juazeiro (BA) para a capital paulista (SP), com a mesma predestinação nordestina de tentar a sorte na cidade grande.
Foram três anos para tudo se ajeitar em São Paulo. Até isso acontecer, a família viveu num barraco de madeira.
O trabalho também trouxe muita experiência de vida para Sidney. A partir dos 14 anos, começou a ajudar em casa e não parou mais.
O empresário foi acumulando vivências práticas, até chegar o momento de realizar o sonho de fazer a faculdade.
Os trabalhos continuaram. Com mais de 11 registros na carteira, Sidney conseguiu atuar com comércio eletrônico e em agências de marketing, áreas que definiram sua vida profissional.
Foi com esse conhecimento que se animou a empreender. Na primeira tentativa, decidiu vender marmita, já que o pai era cozinheiro e ele tinha a experiência com marketing. Só que não deu certo. Mas não foi motivo para desanimar; já tinha outra ideia engatada para abrir um novo negócio.
A Comuta Arquitetura Reformas ganhou vida praticamente numa das salas de aula do Senac Aclimação, no curso Empreendedor em Pequenos Negócios. Tudo o que era aprendido ali era aplicado no desenvolvimento da empresa. Atualmente, o Sidney divide a sociedade com Guilherme e Matheus.
Em 2020, a Comuta já havia realizado 10 reformas, ainda, na base da confiança usando o cartão de crédito do Guilherme, meu sócio, para financiar as reformas. Mas foi dando certo. Tanto que a empresa ganhou R$ 30 mil da Artemísia, que é um projeto de aceleração de negócios de impacto social, como negócio de destaque. Com apoio de parcerias, realizou 106 reformas no ano seguinte.
O escritório definitivo da empresa foi inaugurado em 2022, no próprio bairro Jardim Ubirajara, já contabilizando o dobro de obras vendidas e também ganhando visibilidade.
Em função dessa atuação, no final de 2024, a Comuta ganhou um reconhecimento do governo federal. Com a equipe, Sidney foi receber o Troféu Periferia Viva, no Palácio do Planalto.
E também foi agraciada pelo selo Periferia Sem Risco. Das mais de duas mil organizações do Brasil que se inscreveram, só seis ganharam esse selo, que certifica e valida o trabalho relacionado às questões climáticas, que a Comuta sabe fazer muito bem.
Sidney se deu conta de que a própria história foi delineando a sua carreira para um único propósito.
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