Ramon Ferreira é o nome em português do primeiro indígena da comunidade Guarani a se formar no Senac. Ele terminou o curso EAD de Licenciatura em Pedagogia no polo Senac Registro.
Na sua aldeia, que fica a 50 quilômetros de Registro, cidade do interior de São Paulo, ele é reconhecido como Kuaray Mirim, que significa Sol Pequeno em Guarani. Ou seja, na sua etnia a sua identidade é totalmente conectada à Natureza.
Quando surgiu a oportunidade de estudar a distância para se tornar um professor graduado, Ramon só teve um único temor: a tecnologia. Como dominar as ferramentas, plataformas, usando um celular? E como seria assistir às aulas em dias de chuva, de trovão ou quando a energia cai e só se ouve a voz da mata? A internet é via satélite, e a cidade distante...
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Formação superior
Na comunidade indígena, a conclusão do ensino médio já habilita a atuação como docente nas escolas locais. É fundamental também que o professor seja qualificado e reconhecido tanto pela aldeia quanto pela gestão escolar. A legislação brasileira e as políticas de educação indígena valorizam a exigência e o saber tradicional, transmitido de forma oral ao longo das gerações.
Ter o ensino médio permitiu a Ramon lecionar em sua comunidade e, ao mesmo tempo, dar continuidade à sua formação acadêmica por meio do curso superior de Licenciatura em Pedagogia.
A partir dessa oportunidade, ele se graduou no Senac Registro e passou a receber remuneração da Secretaria Estadual da Educação pelas aulas que já ministrava na escola da comunidade, atendendo crianças e jovens de três a 17 anos. O contrato é renovado a cada quatro anos.
Durante a graduação, Ramon realizou estágio em duas escolas: uma localizada na Vila Ribeira da Serra, a 16 quilômetros de sua casa, e outra no município de Sete Barras, a 32 quilômetros de distância. Foi um período desafiador, que exigiu grande resiliência, pois nem sempre foi acolhido como gostaria.
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Desafios por conta do idioma
Estudar nunca foi fácil para o professor, principalmente por conta do idioma. Na sua comunidade, não se fala português. Antes de assistir às aulas do curso, Ramon teve que aprender uma língua que não era a sua. Sempre precisou se esforçar muito para seguir o sonho de estudar.
Um período difícil foi quando precisou frequentar uma escola que não era indígena para fazer o ensino fundamental e médio. Sofreu tanto com o preconceito que desistiu de seguir em frente. Preferiu concluir a educação básica, fazendo três anos de supletivo. Logo depois, a aldeia o chamou para dar aula na escola da comunidade.
Quando entrou no Senac sentiu que o vínculo seria diferente, além de ter aprendido muito no curso.
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A rotina de professor é preparar atividades para as aulas que dá nos períodos da manhã e tarde.
Em determinados períodos, divide seu tempo com as atividades coletivas tradicionais da comunidade: pratica o canto, a dança e ajuda no plantio quando chega a época.
Futuro e educação
Ramon nasceu no Rio Grande do Sul, na aldeia Guarani Aldeia Tekoa Koenju, em São Miguel das Missões. Em 2010, com 16 anos, decidiu viajar sozinho para conhecer outras comunidades até chegar na que está atualmente. É pai de Selma, com seis anos, e Davi, com quatro meses.
O desejo de Ramon é que os filhos estudem e sigam uma carreira. Selma frequenta a escola da aldeia, que está sob a responsabilidade do professor com mais tempo de casa.
Para Ramon, educação transforma pessoas. Mas explica que há dois jeitos de educar, que são muito valorizados na comunidade.
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Com a formatura, o professor espera que as conquistas da sua família aconteçam por meio do conhecimento. De uma profissão. Para a escola local, também tem alguns planos.
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Ramon tornou-se uma inspiração na comunidade. É a primeira pessoa a se graduar. Segundo ele, isso foi motivo de muita alegria para o cacique.
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Aproveite para acompanhar o momento da formatura de Ramon sob muitos aplausos. Vale a pena conferir!
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