Você já parou para pensar no impacto que aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) pode ter na sua vida e na vida de outras pessoas?
Reconhecida oficialmente pela lei nº 10.436/2002, ela é a língua da comunidade surda no Brasil. Com base em gestos, expressões faciais e corporais, é também um instrumento de inclusão, empatia e transformação social.
Ao estudar Libras, é possível ampliar as possibilidades de interação, romper barreiras linguísticas e contribuir para que a comunicação seja um direito de todas as pessoas.
Quer saber mais sobre como esse conhecimento pode impulsionar seu desenvolvimento pessoal e profissional? Continue a leitura!
Por que estudar Libras é importante?
Aprender Libras é muito mais que adquirir uma habilidade linguística: é assumir um compromisso com a inclusão, reconhecendo que todas as pessoas têm o direito de se comunicar na sua língua natural.
Em um país onde milhões de pessoas dependem desse idioma para interagir, cada novo falante contribui para uma comunicação mais justa e acessível.
A seguir, conheça os principais motivos para investir nesse aprendizado.
Inclusão social e cidadania ativa
No Brasil, 10 milhões de pessoas têm algum grau de deficiência auditiva, o que corresponde a cerca de 5% da população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre eles, 2,7 milhões têm surdez profunda.
Apesar dos avanços nas últimas décadas, a barreira comunicacional ainda limita o acesso a serviços básicos, oportunidades de trabalho e participação plena na sociedade. E, ao estudar Libras, você contribui para derrubar essas barreiras.
Ter mais pessoas fluentes em Libras significa possibilitar que uma pessoa surda seja atendida com clareza no hospital, compreenda plenamente uma consulta jurídica ou participe ativamente de uma reunião de trabalho. É, também, um ato de cidadania: criar espaços onde todas as pessoas possam se expressar e serem compreendidas.
Mercado de trabalho em expansão
Empresas de diferentes setores têm ampliado o compromisso com a diversidade e a acessibilidade. Segundo um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) realizado em 2021, 87% das empresas brasileiras desejam ser reconhecidas por valorizar a diversidade.
A lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991) influencia diretamente no número de contratações de pessoas surdas. Mas, sem uma comunicação adequada, essas admissões correm o risco de serem apenas números no papel.
Profissionais que sabem Libras se tornam facilitadores dessa integração. Na prática, isso significa criar ambientes de trabalho mais democráticos, onde todos podem participar sem restrições de treinamentos, reuniões e interações cotidianas.
Desenvolvimento cognitivo e pessoal
Aprender Libras não transforma apenas a forma de se comunicar, mas também de pensar e perceber o mundo. A linguagem visual-gestual exige atenção, memória e coordenação, estimulando diferentes áreas do cérebro e desenvolvendo habilidades como:
- memória e concentração: memorizar sinais, expressões e movimentos aprimora a capacidade de foco;
- raciocínio visual e espacial: trabalhar com conceitos tridimensionais favorece a percepção e a criatividade;
- flexibilidade cognitiva: adaptar ideias para a estrutura visual de Libras melhora a resolução de problemas.
Diferentes estudos científicos apontam os benefícios cognitivos de aprender um novo idioma. Um exemplo é a pesquisa desenvolvida na Universidade de Edimburgo e publicada em 2013, que revela que pessoas bilíngues desenvolvem demência, em média, 4,5 anos mais tarde na comparação com monolíngues (quem fala apenas um idioma).
Habilidades para trabalhar com a Língua de Sinais
Para se comunicar em Libras, é preciso compreender a estrutura e a gramática da língua de sinais e do português a fim de garantir clareza e coerência na mensagem.
Para atuar de forma respeitosa e efetiva com a comunidade surda, também é fundamental desenvolver habilidades que favoreçam a sensibilidade e a agilidade na comunicação, como:
Empatia
A empatia é uma das primeiras habilidades desenvolvidas por quem começa a estudar Libras. Ao conhecer a realidade de quem enfrenta barreiras de comunicação diariamente, é possível captar o mundo por outra perspectiva.
Durante as aulas, é comum que, ao compreenderem as dificuldades enfrentadas pela comunidade surda, estudantes busquem cursos intermediários e avançados para aprofundar os conhecimentos. Essa motivação nasce, justamente, do contato próximo com situações que revelam a importância da inclusão.
Conhecimento cultural
Como toda língua, a Libras carrega uma identidade cultural própria. Para se comunicar bem, é preciso conhecer as formas de cumprimento, entender a importância do contato visual, respeitar o espaço corporal e valorizar as expressões faciais como parte da mensagem.
Esse conhecimento evita mal-entendidos, aproxima as pessoas e garante que a comunicação seja mais genuína.
Agilidade comunicacional
A comunicação em Libras exige rapidez no raciocínio e atenção ao contexto. A troca acontece de forma visual e simultânea: enquanto um sinal é feito, a expressão facial complementa ou modifica o significado, e o ritmo da conversa pede respostas rápidas.
Essa agilidade não significa pressa, mas a capacidade de interpretar o que está sendo dito, adaptar o discurso ao momento e responder de maneira coesa. Essa é uma habilidade ainda mais relevante em situações de atendimento ao público, aulas, apresentações ou reuniões, em que a fluidez da conversa é essencial.
Atualização contínua
Assim como qualquer idioma vivo, a Libras está sempre se transformando. De tempos em tempos, surgem novos sinais e expressões, seja por influência da tecnologia, da cultura ou das necessidades da comunidade surda.
Por isso, quem deseja manter uma boa comunicação precisa se atualizar. Participar de eventos, manter contato com pessoas surdas e acompanhar produções em Libras são formas de garantir que o vocabulário e a compreensão da língua evoluam junto com ela.
Como são as oportunidades de emprego e a remuneração para quem trabalha com Libras?
Com a inclusão e a diversidade ganhando espaço nas empresas, saber Libras pode ser uma habilidade estratégica. Profissionais que dominam a língua mostram-se antenados às demandas atuais e comprometidos com a acessibilidade.
As oportunidades se estendem por diferentes setores, como:
- educação: professores ouvintes que conhecem Libras podem lecionar para turmas inclusivas e atender estudantes surdos em redes municipais, estaduais e privadas;
- saúde: médicos, enfermeiros e outros profissionais ampliam a qualidade do atendimento e favorecem a comunicação com pacientes surdos;
- atendimento ao público: recepcionistas, vendedores, atendentes e operadores de call center preparados para atender clientes surdos;
- recursos humanos: recrutadores capazes de conduzir entrevistas e integrar colaboradores surdos às equipes;
- eventos e turismo: guias, monitores e organizadores que garantem acessibilidade durante visitas, congressos e feiras;
- tecnologia assistiva: desenvolvedores e designers que criam softwares, aplicativos e conteúdos acessíveis.
Pensando nisso, incluir Libras no currículo pode aumentar a empregabilidade, abrir portas em diferentes áreas e, em muitos casos, ser o fator decisivo na contratação. Além disso, a habilidade pode refletir em melhores oportunidades de remuneração.
Para o intérprete de Libras, há um movimento no Congresso para instituir um piso salarial nacional de, aproximadamente, 2,63 salários-mínimos. O projeto de lei (PL n° 3348/24) foi aprovado pela Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, mas ainda será analisado por outras comissões e precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de ser sancionado.
Mas, atenção! É importante esclarecer que cursos direcionados ao aprendizado do idioma, inclusive no Senac São Paulo, não habilitam estudantes a atuarem como intérpretes profissionais. Para isso, é necessário realizar um curso de qualificação.
Jornada de aprendizado
Como em qualquer idioma, o segredo para aprender Libras está na prática constante: reservar um horário do dia, montar um cronograma de estudos e manter contato frequente com a língua, seja por meio de conteúdos didáticos, vídeos educativos ou interações com a comunidade surda.
Ao se matricular em um curso, esse aprendizado é ainda mais aprofundado. No Senac São Paulo, você tem acesso a professores especializados e uma metodologia direcionada para a prática. Desde o início, as aulas são conduzidas em Libras para que você desenvolva a fluência de forma natural, com apoio de recursos como apresentações, vídeos e dinâmicas de conversação.
Durante a formação, você irá:
- reconhecer aspectos da cultura, identidade e histórico da comunidade surda;
- aprender regras gramaticais para transcrição em Libras;
- saber como se apresentar e apresentar pessoas;
- explorar expressões faciais e corporais na comunicação;
- compreender alfabeto manual e datilologia;
- usar o sistema numeral, como valores monetários, hora e calendário;
- contar histórias cotidianas e literárias utilizando expressões corporais;
- iniciar e manter conversas sobre diversos temas como profissões, espaços públicos, vestuário, esportes, alimentos, meios de transporte, entre outros.
Mas não se esqueça que o aprendizado não termina na sala de aula. Dar continuidade a prática inserindo a Libras no seu dia a dia, como ao acompanhar transmissões de TV com intérpretes, consumir conteúdos e vídeos produzidos por influenciadores surdos e participar de eventos da comunidade, ajuda na fixação do novo idioma.
E aí, quer transformar sua comunicação e contribuir para um mundo mais inclusivo? Conheça o portfólio de cursos de Libras do Senac São Paulo e inscreva-se!
P.S.: esse conteúdo foi produzido a partir de uma entrevista realizada integralmente em Libras, com tradução simultânea de um intérprete convidado.
BARRA DE PROGRESSO - FINAL DO CONTEÚDO