A convivência escolar é parte fundamental do processo educativo, além de representar um desafio para professores e gestores de educação. Quando essa é a pauta, dois temas ganham especial relevância: o Bullying e o Cyberbullying, a versão digital dessa violência.
Esse foi o tema de mais um episódio da Websérie Conviver Senac, projeto do Senac São Paulo que tem como premissa a promoção de reflexões sobre convivência, ética e respeito nas relações escolares.
Assim como nas edições anteriores, o episódio teve mediação de Wilson Krette Júnior, gerente do Senac Lapa Scipião, e contou com a participação de duas convidadas especialistas no tema. São elas:
Andreza Matsumoto, responsável pela área de Inclusão e Diversidade do Senac São Paulo e mestranda em Mudança Social com participação política.
Luciene Tognetta, livre-docente e pesquisadora dedicada a temas relacionados à Políticas Públicas e Educação transformadora.
O episódio, intitulado "Não é brincadeira, é bullying", especificou as diferenças entre bullying e cyberbullying, além de ajudar a compreender como reconhecer e classificar conflitos de convivência e situações de violência.
O que é bullying e cyberbullying?
Inicialmente, é fundamental compreender o que caracteriza situações de bullying e cyberbullying, afinal, nem todo conflito entre estudantes pode ser classificado dessa forma.
As principais características do bullying incluem: a repetição, a intencionalidade, a fragilidade da vítima e o acontecimento entre pares.
Ou seja, os responsáveis por esse tipo de violência costumam escolher pessoas fragilizadas como alvo e a intenção da ação está sempre relacionada à missão de intimidar violentamente e repetidamente a mesma vítima, tudo de forma consciente e proposital.
Para serem caracterizadas como bullying, as agressões devem acontecer entre pares, ou seja, entre estudantes da escola. É importante distinguir o nível hierárquico para nomear adequadamente o tipo de ação. |
Já o cyberbullying é a versão digital desse mesmo tipo de violência. Ou seja, caracteriza-se como cyberbullying todo tipo de agressão entre pares que ocorre em redes sociais, aplicativos de mensagens e demais plataformas digitais.
Por outro lado, quando a violência ocorre em ambiente digital, o problema ganha novas dimensões. Isso acontece porque, uma vez publicado, o conteúdo pode ampliar o alcance da agressão de forma exponencial, podendo tornar a vida da vítima ainda mais difícil por essa exposição descontrolada.
Nem todo conflito entre estudantes é bullying
Embora seja comum, especialmente no ambiente escolar, nem todo conflito pode ser interpretado como bullying. Situações classificadas como incivilidades, isto é, as microviolências do cotidiano escolar, também acontecem - e é fundamental saber a diferença ente uma incivilidade e situações de bullying.
As incivilidades são atitudes de desrespeito às regras ou comportamentos inadequados nas relações escolares diárias. Entre os exemplos, estão: usar celular de forma inadequada durante o período de aula, faltar às aulas sem justificativa, fazer brincadeiras de mau gosto com colegas etc.
Quando as incivilidades são interpretadas como bullying, a escola perde a oportunidade de resolver o problema com estratégias pedagógicas adequadas. Diante desses casos, ajustes no planejamento das aulas e metodologias mais participativas podem contribuir para redução de comportamentos de indisciplina e melhorar o ambiente de convivência.
Escola e família: parceria no combate ao bullying e ao cyberbullying
Para a prevenção dessas violências, é fundamental que a escola atue lado a lado com a família de estudantes, em uma ação conjunta. Por parte da família, cabe a responsabilidade da formação de valores no ambiente privado, já a escola desempenha seu papel central na formação para a convivência no coletivo, sempre respeitando as diferenças.
As responsabilidades são distintas, mas complementares. Muitas vezes, a identificação da violência sofrida acontece em casa, por isso, é fundamental que a família comunique o ocorrido para a escola atuar conjuntamente no acolhimento e na abertura para o diálogo.
Como prevenir o bullying e o cyberbullying na escola?
O enfrentamento para essas violências exige ações estruturadas que envolvam toda a comunidade escolar. Durante o episódio, as convidadas sugeriram algumas intervenções para conter esse problema.
Entre as estratégias discutidas estão a aposta em uma formação adequada direcionada ao tema para docentes, assim como o desenvolvimento de programas específicos de convivência escolar para debater temas relacionados a esses problemas, incluindo estudantes no debate.
A prevenção também passa pela necessidade de treinar o olhar empático, tanto entre estudantes e colegas de turma quanto entre coordenação, professores e demais funcionários do ambiente escolar.
Respeito na convivência
Além da violência por si só, o bullying e o cyberbullying são problemas sensíveis na comunidade escolar, pois costumam acontecer em uma fase decisiva para a construção da autoestima de crianças e adolescentes. As marcas das violências sofridas podem se estender ao longo de toda a vida das vítimas desse tipo de agressão.
Desta forma, o debate sobre o tema evidencia a necessidade de educar para a convivência respeitosa como uma ação coletiva. Escola, família e estudantes devem atuar em conjunto para construir ambientes mais seguros e acolhedores para todas as pessoas.
E aí, gostou de saber mais sobre esse assunto? Assista ao episódio completo da websérie e fique por dentro do debate sobre o tema!
BARRA DE PROGRESSO - FINAL DO CONTEÚDO