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12/11/2019 18h13min

Como a moda pode ser mais diversa em um mercado em transformação?

Duas mulheres sentadas em estúdio e ao fundo tela escrito Webinar Senac.

Jô Souza (à esquerda) questiona Aliana sobre caminhos da área da moda para atender todo tipo de público.

Inclusão de novos consumidores no mercado da moda foi o enfoque do Webinar Senac: Diversidade e Inclusão na Moda: um Mercado em Transformação, ocorrido na tarde da última terça-feira (05/11) na plataforma Eventials. O bate-papo contou com as especialistas e pesquisadores em comportamento e moda Aliana Aires e Jô Souza para falarem sobre diversidade e inclusão nessa área.

Essa conversa on-line ainda abordou temas pertinentes, como: expectativa dos consumidores sobre poder da moda nas mudanças sociais; marketing e gestão da diversidade das marcas; cases entre marcas da moda e consumidores e as barreiras desse mercado para acessar diversos públicos.

Aliana Aires, especialista em moda plus size pela Parsons NY e doutora em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM SP. É uma das organizadoras do evento + Fashion (Fórum sobre moda plus size e diversidade), consultora em varejo de moda e visual merchandising, já desenvolveu trabalhos, consultorias e ações de marketing para a Água de Coco, Samsung e Luxxotica (Rayban). Recentemente lançou o livro De Gorda a Plus Size: a moda do tamanho grande, pela Estação das Letras e Cores, resultado da sua pesquisa de doutorado.

Jô é doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e mestre no mesmo programa, graduada em comunicação social com habilitação Relações Públicas. Coordenadora e é professora do curso de extensão Coolhunting e da pós-graduação em Criação e Styling do Centro Universitário Senac.

"A moda durante muito tempo passou a trabalhar com único consumidor: o magro, jovem caucasiano e branco. Praticamente ignorou todos os outros modelos corporais que fugissem desse padrão", avalia Aliana e isso fomentou a indústria da dieta, dos exercícios físicos, depressão e inadequação social. Por outro lado, a falência desse mercado foi obrigada a olhar para novos públicos, acarretando em mudanças sociais.

Por meio de imagens de desfiles e campanhas, Aliana mostra idosos como modelos em roupas sensuais e atitudes fora dos padrões para romper preconceitos. Também apresentou propagandas da marca de lingerie agênero Rebirth Garments (americana) e a marca de lingerie trans GI Collection. Essa última atende público pós-operatório da cirurgia para mudança de sexo e aqueles que não operaram.

Aliana ainda disse que a moda plus size aumenta em 10% ao ano. Ela ainda chama atenção como a mídia retratou durante muitos anos o gordo como o improvável para ser protagonista. Atualmente a sociedade caminha em busca da diversidade. "Inclusão é olhar para o público e dizer que ele é normal".

A mediadora perguntou sobre o papel da slow fashion para contribuir com o movimento da democracia da moda. Aliana responde: "Esse movimento estimula o empoderamento nos consumidores e é político".

As pesquisadoras comentaram o lançamento das sapatilhas com cores nudes mais escuras para as bailarias negras, que antes pintavam seus sapatos com suas maquiagens. "Sua visão fica mais atenta para outras questões que nem pensávamos antes. Essa ação reflete o cenário da escravidão que tivemos na nossa história. Também atende esse consumidor preocupado com as questões da sustentabilidade".

Aliana atenta sobre os preconceitos com pessoas acima do peso. "A questão é muito mais prejudicial do que a obesidade. Não tem autoestima nem para buscar o emprego", pontua.

A professora também mostrou fotos da campanha de Tommy Adapt Hilfiger destinado para pessoas com deficiência. Outra marca foi a Target, que criou uma cadeira de rodas cenográfica para atender esse público.

A Pop Plus (https://popplus.com.br/)  foi considerada a maior feira do mundo. "É interessante observar esse movimento no Brasil, que é um país tão hegemônico e patriarcal que ainda valoriza a mulher ser magra. Essa feira retrata que essa população é bem grande e necessita se sentir feliz para ter mais peças que ela possa usar".

Como chegar nas grandes marcas?

A especialista em moda plus size sinaliza iniciativas bem interessantes no mercado hegemônico. "É preciso se posicionar mais e talvez seja num futuro distante", sinaliza e chama atenção que as marcas precisam produzir mais nesse segmento, já que durante muitos anos fortaleceram a ideia de que todo mundo precisa seguir um padrão corporal. "A moda trabalha com imagem e perfeição".

Na avaliação de Aliana, toda marca tem um posicionamento e se ela é mundialmente conhecida precisa avaliar seu posicionamento sobre o tema. Ela ainda mostrou a campanha da C&A Sou gorda Sou sexy, com modelos plus size, mas grande parte dos consumidores se sentiram abalados, porque as modelos não são necessariamente gordas.

"As pesquisas de hoje mostram que as marcas com modelos gordas têm sim uma gestão melhor e as pessoas compram mais dessas empresas. As campanhas são ainda baseadas em pouco estudo e mais em achismos", observa.

A professora ainda mostrou as fotos das manifestações de body positive em Londres, em que mulheres de diferentes tons de peles e corpos evidenciaram a questão corporal, do peso, altura e étnico-racial no final do ano passado. Mostrou também um dos clipes da cantora Beyonce gravado no Museu do Louvre, em Paris (FRA), em que ela dança com outras bailarinas vestidas com tops e leggings em diferentes tonalidades de nudes para mostrar a diversidade corporal e tons de peles, assista aqui: https://bit.ly/2OciUTE

"Não tem como hoje em dia as empresas ficarem totalmente distantes desse tema. No mínimo tenho que ser friendly e aberta a todos. A exclusão é muita crueldade. Não conseguir sair de casa, porque não tem o que usar. Quando a gente não vivencia, não consegue pensar", alerta.

As duas especialistas concordam sobre a importância das empresas diversificarem seus portfólios. Aliana e Jô ressaltam o investimento necessário para essa transformação.

Para a autora do livro De Gorda a Plus Size, as empresas dedicadas em confeccionar peças de roupas adaptáveis a todos os tipos de corpos só ganham, porque também atendem as demandas da área social e ambiental. Ela ainda critica empresas, como a Nike, que falam que adotam práticas inclusivas, mas a representação de peças com tamanhos maiores nem chegam a 10% de seus produtos.

Em relação ao mercado internacional, Aliana diz que os avanços não são tantos como parecem. Cita que algumas lojas estão mais em regiões periféricas, como nos Estados Unidos. Aqui no Brasil o mercado é ainda feito por pequenos produtores e o movimento é mais autoral, comparado ao europeu e norte-americano.

A mediadora questiona se para a empresa fazer roupas de tamanhos maiores é caro. Aliana responde que esse argumento é refutado e há sim tecnologia para desenvolver peças mais diversas e oferecer outros tipos de modelagens com técnicas para aproveitar mais os tecidos. E ainda defende: "Existe má vontade, inexperiência e teoria da conspiração. Acredito que é um preconceito e vai passar ao longo do tempo. A transformação começa pela educação e o Senac tem papel importante para esse movimento".

Assista na íntegra Webinar Senac: Diversidade e inclusão na moda: um mercado em transformação.

Conheça também os cursos de moda que o Senac São Paulo oferece.

Tags: Webinar Senac, gordofobia, moda e diversidade, moda inclusiva, moda plus size


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