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24/01/2019 10h11min

Novos olhares sobre o território e o impacto na gestão de projetos sociais

Foto em preto e branco de pernas de pessoas atravessando faixa de pedestre

Do chão para a gestão. Esse é o movimento que tem influenciado o trabalho de desenvolvimento e execução de iniciativas sociais.

Assim, os gestores desses projetos entenderam que é essencial compreender as dinâmicas dos territórios para basear as propostas de ações que buscam defender direitos e atuar na transformação e ocupação dos espaços urbanos.

Nesse contexto, repensar o direito à cidade pode ser um importante norteador, defende Kazuo Nakano, arquiteto e especialista em planejamento e gestão urbana, ambiental e habitacional.

Ele acredita que os territórios, hoje, apresentam uma série de dilemas, bloqueios e retrocessos que justificam a iniciativa de repensar as diretrizes da busca por espaços melhores, mais justos, democráticos e sustentáveis, onde as pessoas possam realizar suas capacidades humanas. 
Essas cidades ainda precisam ser produzidas porque, hoje, estão cheias de problemas. Então, a luta é válida, afirma.

Cidade como mediação
Para começar, Nakano propõe ter novos olhares sobre o território na realidade atual. Ele cita o sociólogo e filósofo francês Henri Lefebvre, que em sua obra O Direito à Cidade, enxerga a cidade como mediação entre a ordem macroestrutural - que envolve um sistema global - e a ordem micro - referente à vida cotidiana das pessoas.

Segundo o especialista, a cidade contém lugares e relações interpessoais e é constituída por essas relações micro do dia a dia, com práticas, pensamentos e afetos entre as pessoas. Já na ordem macro, possui processos e relações econômicas, políticas e culturais que impactam a ordem micro.

Nós, como parte da cidade, sofremos as influências dessa mediação para o bem ou para o mal. Essa ideia é importante porque as nossas vidas não são determinadas somente pelo que acontece perto da gente, alerta.

Ele exemplifica citando que questões ambientais, políticas e econômicas definidas em lugares distantes influenciam valores, comportamentos, decisões e processos individuais das pessoas.

Assim, os processos macro, muitas vezes, violam e impactam negativamente a efetivação do direito à cidade pois, segundo Nakano, o atual sistema de produção e reprodução econômica, que é global, está incidindo e atuando diretamente na realidade dos territórios.

No contexto do capitalismo global financeirizado, os espaços urbanos se tornaram uma grande mercadoria, um mecanismo de extração de lucros. A terra urbana e a moradia, principalmente, se tornaram lastros de investimentos financeiros, afirma Nakano.

Outro questionamento que surge nesse cenário é a forma de enfrentamento a esse sistema. Como vamos defender e lutar pelo direito à cidade em um contexto no qual aqueles que bloqueiam, dificultam e, às vezes, inviabilizam a efetivação desse direito não estão na nossa cidade? É complexo, avalia o especialista. 
Ele afirma que o direito à cidade deve ser visto como direito a renovar a vida urbana, citando o conceito de Lefevbre.

Não é só o direito à saúde, educação, assistência social, transporte e emprego. Também! Mas, vai além disso. O direito à cidade é o direito de poder transformar as nossas condições de vida, diz Nakano.

Essa percepção, segundo ele, é um ponto de partida para que profissionais e demais atores sociais possam compreender, por exemplo, a realidade da periferia de São Paulo, que ao receber asfalto, rede de esgoto e ônibus atraiu o interesse de vários setores do mercado.

As melhorias geraram o aumento do preço das moradias e dos alugueis nessas regiões e a qualidade de vida urbana também virou mercadoria. Assim, muitas pessoas acabaram se mudando para cidades vizinhas, como Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba ou Guarulhos.

Tem sido mais difícil para a população trabalhadora de baixa renda permanecer nas periferias de São Paulo. Por isso, está acontecendo a periferização das periferias, que tem aprofundado nas nossas cidades as desigualdades socioespaciais, lamenta.

Produto X Obra
Uma resposta a essa realidade, segundo Nakano, seria enxergar a cidade como obra, e não como produto, seguindo o que diz Lefebvre.

Isso porque quando a cidade é percebida como produto se limita a produzir mercadorias nas localizações urbanas. Mas, explica o especialista, quando é vista como obra, ela se torna fruto da criação humana e permite que as pessoas participem de sua transformação, garantindo direito à liberdade, à individualização na socialização, ao habitat e ao habitar.

É nesse cenário que os novos olhares sobre o território estreitam o vínculo com a gestão de projetos sociais. 
O conceito de individualização na socialização tem sido alvo de recentes debates de movimentos diversos, como o feminista, o negro, o LGBTQ e os coletivos de cultura. O direito de afirmar uma singularidade no meio de uma pluralidade social se soma aos outros sentidos do direito à cidade, ressalta.

Nesse sentido, é importante entender e discutir a periferia não mais como espaço da precariedade, mas como geradora de conhecimentos produzidos a partir de uma trajetória de vivências e de atuação política de seus atores.

Esses saberes estão expressos na literatura, no grafite e nas práticas culturais. A gente tem a obrigação de conhecer essas produções para reinterpretar as nossas cidades e, com isso, reinterpretar o que é o nosso direito à cidade na perspectiva da periferia, justifica.

Gestão e território
O direito à cidade foi o foco da apresentação de Kazuo Nakano no evento Gestão de Projetos Sociais no Território. A ação, realizada em 7 de novembro no Senac São Miguel Paulista, teve como tema Violência, Resistência e Direito à Cidade: escutando vozes e práticas da periferia.

A programação contou com a mesa-redonda Repensando o Direito à Cidade, com participação de Manulo, Robson Bó e Kazuo Nakano e mediação de Roberto Galassi Amaral; e com a mesa-redonda A Vida Ocupando a Cidade, com Roger Itozaku, Susana Sarmiento e Luciano Carvalho e mediação de Pedro Pontual. Confira abaixo os vídeos dos eventos na íntegra:

Repensando o Direito à Cidade
A Vida Ocupando a Cidade

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Leia também: Ocupar territórios é tema de encontro no Senac São Miguel Paulista

Tags: Senac São Paulo, desenvolvimento social, direito à cidade, espaços urbanos, gestão de projetos sociais, gestão de território, ocupação de espaços urbanos, projetos sociais, pós-graduação, vida urbana


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