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20/12/2018 12h40min

Especialistas indicam tendências para impulsionar negócios na moda

Profissionais de grandes marcas do setor, como Puma e Enjoei, compartilham estratégias que também podem ser aplicadas por empresas de pequeno e médio porte.

Jovem negra com cabelo curto rosa e maquiagem em tons de amarelo

O poder dos influenciadores digitais, o crescimento da economia compartilhada e a busca por um consumo mais autêntico e sustentável são alguns dos elementos que vem transformando as dinâmicas no mundo dos negócios - e na moda não seria diferente.

Marcas tradicionais do setor tiveram que repensar a maneira como criavam e se relacionavam com seus públicos, enquanto outras mais jovens, nascidas nesse cenário efervescente, alcançavam destaque no mercado por já atuarem mais conectadas a essas novas demandas. 

Confira algumas das novas ações e tendências que estão impulsionando os negócios na moda e que também podem ser replicadas por empresas de pequeno e médio porte.  

Storydoing
Com 70 anos de existência, a Puma se consolidou em uma época na qual uma sessão fotográfica com um artista ou esportista de destaque já garantia visibilidade e resultado nas vendas, uma estratégia que perdeu espaço com as novas gerações.

"Shooting e propaganda já não funcionam mais sozinhos. É preciso buscar pessoas reais dentro do universo que você quer estar para criar junto com a marca, seja no tom de voz, no desenvolvimento de um produto ou de uma campanha publicitária", afirma Fábio Kadow, head de marketing e comunicação da Puma no Brasil. 

Fábio se refere ao storydoing, um processo de cocriação com pessoas que sejam semelhantes e relevantes para o público-alvo da marca, gerando não somente histórias, como no storytelling, mas também produtos e soluções em conjunto, inspirados nos desejos e anseios desses grupos.   

"As marcas precisam ser relevantes para o público, não dizer o que é relevante para ele. Nós temos que ser aquilo no que as pessoas estão interessadas, em vez de querer definir o que as pessoas devem ler, comprar e conversar", diz o executivo. 

Estrelas do mundo pop, como Rihanna, Selena Gomez e The Weeknd, estão entre os parceiros com quem a Puma já realizou storydoing, mas Fábio garante que o método pode ser aplicado tanto por empresas de pequeno porte como por quem está começando a empreender no setor.

"É mais fácil aplicar o storydoing em pequenas empresas porque há mais autonomia e mais proximidade com pessoas que estão querendo empreender junto. As conexões não precisam ser grandes, elas precisam ter os mesmos valores da marca, isso é o mais importante. Por isso, é essencial abrir espaços de diálogos para encontrar pessoas que estão querendo criar algo com propósito e que tenham essa identificação recíproca", diz.

Roupas de segunda mão
Assim como na publicidade e no posicionamento das marcas, as gerações mais jovens estão abrindo espaço para novos modelos de negócios, como sites de revenda de roupas e acessórios de moda.

"Há cinco anos, ainda havia um estigma muito forte quando se pensava em comprar ou vender algo usado. A nova mentalidade da economia compartilhada mudou isso drasticamente. Hoje, o mercado de segunda mão é o que mais cresce no mundo", afirma Mariana Wakim, gerente de produto do e-commerce Enjoei.

Pesquisas internacionais confirmam a tendência. Uma em cada três mulheres nos Estados Unidos afirma ter comprado peças de segunda mão no último ano, fazendo com que o mercado de revenda on-line tenha previsão de atingir US$ 21 bilhões até 2021, tendo o segmento de moda como líder em faturamento. Também há a estimativa de que esses sites de revenda cresçam cinco vezes mais que plataformas de outlets e pontas de estoque.

Mariana conta ainda que é possível observar um transbordamento desse cenário para esferas mais informais, com cada vez mais pessoas vendendo suas próprias roupas nas redes sociais e grupos de WhatsApp, além de promoverem bazares e eventos para trocas de roupas entre familiares e amigos.

"São pessoas que estão em busca tanto de custo-benefício e boas oportunidades quanto de peças mais exclusivas e com história", diz. 

Outro fator de decisão são os valores relacionados à sustentabilidade, prolongando a vida útil das peças e evitando o consumismo desequilibrado e sem propósito. 

De olho nesse crescimento, grifes como Levis, Fila, Náutica e Cantão estão resgatando peças de acervos para comercializá-las com apelo nostálgico e incorporá-las no próprio branding. Outra estratégia usada por muitas marcas, como a carioca Farm, é oferecer desconto em novas compras aos clientes que retornarem roupas de coleções antigas já utilizadas.   

Inspirações
Estar atento ao comportamento e ao desejo dos consumidores também é fundamental para inspirar as criações de roupas, que devem garantir cada vez mais conforto e funcionalidade.

"Para se trabalhar com moda, é preciso ter empatia, saber o que move as pessoas", diz Andrea Bisker, coolhunter da Stylus.

A partir de uma análise contemporânea, Andrea destaca três tendências comportamentais que podem influenciar a produção das marcas.

A primeira delas é o desejo das pessoas recarregarem as energias, em resposta à fadiga digital e à sobrecarga tecnológica. Essa recarga pode ocorrer tanto com atividades mais extremas, como esportes radicais, quanto com momentos mais relaxantes em casa ou ao ar livre. Isso se reflete em uma estética mais minimalista, confortável e arejada, com cores suaves e peças feitas com tecidos tecnológicos. 

O reaproveitamento sustentável é outro fator que tem movido os consumidores. Além do mercado de segunda mão, as marcas podem se conectar a esse propósito priorizando sobras e remendos de tecidos, assim como utilizar e transformar peças já existentes. Técnicas que remetem a tradições e artesanatos também ganham destaque.

Por fim, a coolhunter aponta o desejo das pessoas em reviver décadas anteriores, o que reflete um ar nostálgico na estética, com inspiração no final do século 20, marcada por peças românticas, históricas e familiares. 

Senac Moda Informação 
Todas essas tendências foram abordadas na segunda edição do Senac Moda Informação deste ano, realizada em outubro, na capital paulista. Promovido desde 1993 pelo Senac São Paulo, o #modainfo é considerado um dos mais importantes encontros para atualização, troca de informação e discussão de propostas do mercado da moda, ressignificando a pesquisa de tendências. 

Conheça os cursos na área de moda que o Senac São Paulo oferece.

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