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22/12/2017 12h11min

Literatura fantástica: possibilidades para desenvolvimento pessoal e profissional

Baleia carregando aeroplano por cordas, voando em um céu azul com nuvens brancas

Jogos e dinâmicas teatrais estimulam impulsos sensórios, motores e criativos

“Era uma vez...”

A expressão, que inicia contos que alimentam sonhos e ajudam na formação, também é uma das maiores chaves para a criatividade. As três palavras carregadas de possibilidades nortearam a Oficina de Criação da Literatura do Universo Fantástico , promovida pelo Senac Largo Treze em outubro.

De Aquiles ao Superman, do Lobo Mau ao Sauron, o evento trouxe jogos teatrais, dinâmicas de improvisação, interação, literatura e criatividade, criando um ambiente de desenvolvimento social e cultural para os participantes.

O auditório da unidade se transformou em um ambiente lúdico, propício para a exploração do aprendizado colaborativo, com a proposta de promover reflexões para desenvolver valores humanos, diversidade cultural, autonomia, convivência em grupo e o despertar do “ator social”.

"As pessoas presentes se dividiam em educadores, profissionais da área editorial, pedagogos e até psicólogos, que vieram em busca dessa experiência no intuito de agregar às suas áreas”, conta Ana Beatriz Cristaldo Mendes, funcionária da biblioteca e organizadora do evento.

Com o apoio da docente Maria Rosa Caldas Lira. Na entrevista abaixo, Maria Rosa explica a importância do universo fantástico para o desenvolvimento pessoal e como os jogos e dinâmicas auxiliam no entendimento e aplicação da fantasia na vida real.

O que são jogos teatrais, dinâmicas de improvisação, interação, literatura e criatividade?
Jogos são atividades que envolvem ações integradas de corpo, mente, emoção, mnemônica, sociabilidade, etc. Um exemplo, realizado na oficina, é o Jogo dos “W”s – who, when, where, which, how, how much, why, que permite aos participantes a identificação das peças de criação de uma história, proporcionando a oportunidade de modificar os elementos de storytelling a partir da análise do protagonismo e do antagonismo das personagens apresentadas, e recriar um novo contexto, conflito, clímax e desfecho para a história.

Como essa oficina auxilia os diversos profissionais que compareceram?
Jogos e dinâmicas teatrais estimulam impulsos sensórios, motores e criativos e, logo, desenvolvem ritmo pessoal, harmonia, dinamismo, contraste, clímax - fatores relevantes ao movimento de criação de diversas competências humanas e profissionais.

De que maneira as ferramentas utilizadas contribuem para a criação de uma obra literária do universo fantástico?
Por integrarem atividades envolvendo o corpo (não verbal), a mente (verbal), e a emoção (instinto); respectivamente ajustados ao objetivo da ação (no caso, a dramática), elas possibilitam a experiência de sensações e movimentos pouco ou nunca trabalhados antes.

Sentimentos e harmonização inter e intra-pessoal deste ser criativo surgem pela superação dos problemas, limites, bloqueios, que podem sanar os conflitos, no caso, desafios provocados pelo jogo. E esse resultado é a base da construção das narrativas.

Como a ambientação lúdica do espaço educacional contribui para o desenvolvimento da proposta?
É de fundamental importância a criação da atmosfera espacial para a realização do jogo (atividade), sendo a escolha do lugar do jogo o elemento base para o desenvolvimento dele. O lugar fundamenta o “agora”, e o jogo acontece no “agora”, assim como ação dramática, assim como ministrar uma aula.

Quem foram os primeiros autores e quem são os autores de literatura fantástica mais recentes?
Nossa linha do tempo começou com o primeiro herói da história ocidental: Aquiles (1600 a.C.), passando por outros heróis da mitologia grega como Agamenon, Odisseu/Ulisses, seguindo uma ordem cronológica até chegar no Superman (1933 d.C.). Falou-se de fábulas e contos, como A Cigarra e a Formiga, Chapeuzinho Vermelho, A Lebre e a Tartaruga, além de autores como Esopo, Fedro, La Fontaine, Perrault, Irmãos Grimm, Andersen, das histórias de terror de Mary Shelley, como Frankenstein (1818), os novos gêneros surgidos entre os anos 1800 e 1900 principalmente nas dime novels com Julio Verne, Lewis Carrol, H.G. Wells, L. Frank Baum, Robert E. Howard, J. R. R. Tolkien, Robert A. Heinlein, Arneson, Gygax, Rob Kuntz e Tom Keogh Abordou-se também as revistas em quadrinhos com suas histórias de aventuras, policiais, de ficção, super-heróis, etc.

De que maneira o conhecimento histórico sobre a literatura fantástica contribui para o autor e para o leitor desse gênero?
É um campo criativo que desenvolve o imaginário, de acordo com o psicanalista C.G.Jung. A literatura fantástica desperta emoções pelo campo do “estranhamento” da narrativa, recheada de elementos por vezes não naturais e põe em conflito a razão com o instinto. Por analogia com a subjetividade do autor, o leitor é desperto a emocionar-se por resoluções fora do comum – não naturais, veia mítica, - dos conflitos desenvolvidos os quais, comparativamente, levam-no a analisar a si e sua inter-relação sociocultural.

Como as obras trabalhadas relacionam-se à nossa realidade sociocultural, auxiliando no desenvolvimento de valores humanos, diversidade cultural, autonomia e convivência em grupo?
A justificativa pode ser ilustrada por meio do princípio “volksgeist” (Herder), traduzindo por espírito do povo e que hoje tem-se a leitura pelo viés “zeitgeist” (Chomsky), lido como espírito do tempo, espírito da época. O registro histórico de ritos, crenças e costumes de culturas não letradas, tribais, autóctones sempre foi (e em alguns lugares, ainda o é) transmitido por via oral e memorizado por meio de contos, causos, lendas. Esses autores literários sempre ilustram os “espíritos do povo e de uma época” em suas obras, pautando-se em seu próprio tempo (tempo do autor), ou em outras épocas (tempo da obra, ou atemporalidade).

Alguns exemplos são Mary Shelley, com Frankenstein (1818), H.G.Wells, Guerra dos Mundos (1897), Lewis Carrol, com Alice no País das Maravilhas (1865). Essas obras superam os limites da ação da personagem cuja narrativa passa a ditar comportamentos. A partir de estratégias de propaganda, e hoje do marketing multimidiático, percebe-se a influência das obras para a manifestação de novas tendências comportamentais e até ressignificação de símbolos humanos inerentes a uma época, um tempo, uma cultura.

Outro exemplo é J.R.R. Tolkien, cujo livro O Hobbit, de 1937, explodiu como influência comportamental de crianças e jovens do século 21, fazendo com que a Geração Z retomasse a leitura de obras longas e seriadas.

O que é o Ator Social? Como as obras trabalhadas e a literatura fantástica em geral auxiliam no despertar desse papel?
O termo é designado por Augusto Boal, quando afirma que “todos somos expec-atores”: não apenas observamos a exposição da vida comum e os comportamentos humanos, nós interferimos, modificamos, melhoramos, convivemos, ou seja, atuamos nesse cenário, com os nossos papéis sociais e a busca salutar da convívio em grupos referenciais – família, escola, trabalho, clube, igreja, grêmio jovem, etc. Logo, podemos influenciar esse meio social, com o sentido cônscio de nosso objetivo (missão individual) junto à comunidade da vida.

Conheça os cursos com inscrições abertas no Senac Largo Treze.

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