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22/12/2017 12h35min

Mesa-redonda e exposição discutem protagonismo das mulheres iranianas

Integrantes da mesa-redonda realizada no Senac Lapa Scipião

Dani Agostini foi ao Irã para fazer um trabalho fotográfico e investigativo que abordou o uso do véu

“No momento em que o chamado mundo islâmico passa, mais uma vez, por diversos processos históricos importantes, precisamos descolonizar o pensamento em relação ao Oriente Médio, sobretudo no que diz respeito às mulheres e nossa vontade de ‘salvá-las’”, diz a historiadora Aline Amaral.

A frase reflete o posicionamento das participantes da mesa-redonda, realizada em 30 de novembro, que marcou a abertura da exposição Professor Lado B: Dani Agostini – Mina, Mahdieh e outras mulheres, no Senac Lapa Scipião.

Além de Aline e Daniela, autora da mostra, a discussão também teve a contribuição de Zainab Alhamwicom e mediação de Sandra Christina Labate Tucci.

Inicialmente, elas apresentaram o projeto fotográfico e, em seguida, abordaram a temática do ponto de vista da tolerância e do respeito, dando ênfase à necessidade de conhecer o assunto para evitar posições equivocadas e pré-concebidas.

Fotógrafa e docente da unidade, Daniela contou que viajou ao Irã para registrar as fotos que resultaram na exposição e fez um trabalho investigativo sobre as mulheres iranianas e o uso do hijab (vestimenta tradicional obrigatória), conhecido como véu.

Por sua vez, Aline trouxe pontos relevantes de seus estudos dando foco à frase: “o véu não cobre pensamento”. Ela esclarece que o uso do véu para a cultura ocidental suscita diversos questionamentos, muitos deles embasados em preconceitos.

“Há um incômodo, como se o véu por si só oprimisse e subjugasse as mulheres. Para nós da mesa, o problema não é o uso do véu, que possui diversos contextos e significados, mas a questão de as mulheres iranianas poderem optar por usá-lo ou não”, argumenta Aline.

Por fim, Zainab compartilhou sua história de imigração e adaptação ao Brasil revelando o que o véu significa para ela.

Inspiração
Daniela contou ao público que buscava entender a relação das mulheres iranianas com o uso do véu e o posicionamento delas diante do regime sociopolítico em que vivem. “Encontrei mulheres fortes, que aprenderam a viver com certas imposições e, diante delas, encontram diferentes formas de manifestar suas vontades, ideais e opinião”, diz.

Além disso, viu o comportamento delas em relação às diferentes leis que são impostas pelo governo, baseadas no Alcorão. “Um exemplo muito interessante foi presenciar a primeira maratona de mulheres no Irã. Até então, elas eram proibidas de praticar corrida e outros esportes”, afirma Daniela.

Ela comenta que foi em uma palestra da Aline sobre mulheres no cinema iraniano que surgiu a ideia do trabalho. “Minha curiosidade foi estimulada ao saber que o país vivia como uma República Islâmica e, nela, a mulher, obrigatoriamente, deveria permanecer coberta com o hijab”, ressalta.

Personagens e simbologias
A fotógrafa compartilhou com o público o processo que seguiu para identificar personagens. “Antes da viagem, consegui o contato da Mina, que é jornalista, com um amigo. Foi a partir dela que se deu a possibilidade de registrar outras mulheres, entre elas, sua mãe, tia e amigas”, lembra.

Outra personagem essencial no trabalho foi a Mahdieh. O encontro com ela foi um feliz acaso que levou a docente a outras 21 mulheres, todas da mesma família.

Para registrar as personagens, Daniela utilizou alguns elementos que possuem forte simbologia para a proposta do projeto. “Trabalhei com retratos durante o encontro com as mulheres da família, utilizando o véu e um tapete como signos de construção do que me propus a abordar”, esclarece.

Choque cultural
De origem sírio-libanesa, Zainab está no Brasil há 12 anos e, apesar de ainda vivenciar alguns choques culturais, gosta de viver aqui e já se acostumou com muitas coisas. Para ela, o véu é um tudo que não a impede de nada. “A religião islâmica tem a obrigatoriedade do uso do hijab, porém não é uma imposição. Eu escolhi usar, mas não significa que todas as muçulmanas devam escolher também. O uso deve ser por paixão ao significado de proteção que ele traz”, acredita.

Zainab decidiu usar o véu aos 10 anos de idade. “Minha mãe me disse que o Islã enxerga toda mulher como um diamante e o véu torna aquele diamante lapidado de uma forma especial e que só pessoas privilegiadas podiam ter acesso a ele. Até hoje não me arrependo dessa escolha, o véu me completa de uma forma única”.

A iraniana lembrou que, recentemente, foi abordada no metrô por uma mulher que questionou o uso do véu dizendo que era um símbolo do controle do homem sobre a mulher. Além de pedir para Zainab tirar o hijab, ela repetia que o véu ofendia as mulheres que lutam pela igualdade de direitos.

“Então decidi saber a opinião das mulheres do vagão. A grande surpresa foi que pediram para a mulher retirar os comentários e reforçaram que eu tinha todo o direito de escolher o que usar, algumas mulheres até cobriram o cabelo com os seus casacos. Percebi que o importante disso não era a senhora que me abordou com ignorância e falta de conhecimento, mas todas aquelas pessoas que me defenderam mesmo não concordando com o uso do hijab”, ressalta.

Diante desse contexto, Zainab elogia o trabalho de Daniela, que não se limitou a expor esteticamente o uso do véu pelas mulheres daquele país. “Foi uma das formas mais sofisticadas e delicadas de entregar a mensagem e a visão das mulheres iranianas em relação ao assunto. Conseguiu capturar nas fotos a essência da mulher iraniana que adota o hijab por paixão ou só como acessório imposto politicamente”, conclui.

A exposição Professor Lado B: Dani Agostini – Mina, Mahdieh e outras mulheres segue em cartaz até 9 de fevereiro de 2018, no Senac Lapa Scipião.

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Tags: Dani Agostini, Professor Lado B, Senac Lapa Scipião, comunicação e artes, fotografia, hijab, mulheres iranianas, uso do véu


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