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19/07/2017 09h30min

Wagner Moura e Márcia Tiburi falam sobre carreira, empatia e política

Filósofa recebeu o ator na terceira edição do Diálogos Contemporâneos, promovido pelo Senac Lapa Scipião

wagnerWagner Moura Lapa Scipião

Um baiano em busca do saber. Foi dessa maneira que o ator Wagner Moura se definiu durante a terceira edição do Diálogos Contemporâneos, evento conduzido pela filósofa Márcia Tiburi e promovido, em 23 de junho, pelo Senac Lapa Scipião.

Para Wagner, essa definição é um reflexo direto da história do pai que, aos 17 anos, deixou o sertão da Bahia em um pau de arara e se tornou, futuramente, sargento da Aeronáutica. 

“Ele tinha uma fome intelectual muito grande. Apesar de muito pobre, conseguiu entrar na faculdade e se formou advogado. Nunca exerceu a profissão, mas guardou esse orgulho de ter conseguido estudar”, diz o ator. “O esforço para entrar em um ambiente que um menino pobre não entra no Brasil e o esforço que ele fez para os filhos também chegarem a esse lugar me representa muito”, completa. 

Embora o pai torcesse para ver o filho como médico ou engenheiro, Wagner se graduou em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, mantendo o teatro como atividade paralela. 

“Depois de todo esforço dele, não tive coragem de dizer que queria fazer teatro, então fui para a comunicação”, conta o ator, que vê o aprendizado universitário como bagagem essencial em sua construção como artista. “Meu pai ainda viveu para ficar feliz com a minha escolha de vida. Também acho que, hoje em dia, essa questão de os pais quererem uma profissão considerada tradicional para o filho é algo mais diluído. Mas, se ainda não for, não obedeçam seus pais”, brinca com os jovens da plateia. 

Encontro com o teatro
Wagner recorda que começou a fazer teatro por uma questão de sociabilidade. “Quando cheguei do sertão para estudar em Salvador, eu queria fazer parte daquela turma, mas não me identificava com eles”, diz.

Foi quando recebeu o convite de uma colega para acompanhá-la no grupo de teatro do qual fazia parte. “Quando cheguei e vi aquelas pessoas, pensei: ‘quero ficar aqui’. Tinha uma identificação com aquele universo. Eu não queria ser artista, eu apenas queria estar ali, com aquelas pessoas e naquele lugar”, afirma o ator, que chegou a conciliar o teatro com o jornalismo por um período. 

Para quem pensa em seguir carreira artística, Wagner orienta refletir sobre os desafios atrelados às escolhas pessoais. “Procure saber se é isso mesmo que você quer fazer para sua vida. E se for, vá em frente. Não é fácil, como nenhum outro trabalho é fácil. Nem todo mundo vai ser bem-sucedido, nem todo mundo vai conseguir viver do que faz, mas se você sente que não pode viver sem fazer isso, faça”, afirma.

Processo de construção
Conhecido por dar vida a fortes personagens, como Capitão Nascimento e Pablo Escobar, o ator diz que busca muito de si mesmo nesse processo de construção, algo que nem sempre é confortável.  
E encontrar humanidade nos outros é muito bonito. O ator é obrigado a ter empatia, algo que está em falta hoje em dia”, diz Wagner Moura


“É um processo de autoconhecimento. Vou descobrindo coisas em mim que nem sempre estão aparentes. Isso é frequentemente doloroso, porque é preciso buscar lá dentro de você coisas que não são tão boas. Minha vontade de dirigir reflete o desejo de experimentar algo novo, mas também vem de um cansaço, porque esse processo me dói muito”, conta Wagner, fazendo referência ao filme que dirigirá sobre o político baiano Carlos Marighella.
Para Wagner, localizar internamente esses elementos também resulta de um exercício de empatia, algo que considera uma necessidade a todos os atores. “Quando fiz Escobar, fui acusado de ter humanizado um monstro. Mas ele também era um ser humano. E encontrar humanidade nos outros é muito bonito. O ator é obrigado a ter empatia, algo que está em falta hoje em dia”, diz.

Posicionamento
A importância da empatia também foi transportada para o cenário contemporâneo. De acordo com Márcia, as pessoas perdem essa dimensão no dia a dia e retomá-la poderia ajudar, até mesmo, no atual panorama político.

“A gente ouve que é preciso humanizar a educação, humanizar a saúde, mas não vai ser possível se a gente não tiver o reconhecimento da dignidade de qualquer ser humano. Se a gente conseguisse se colocar no lugar do outro, a gente redimensionaria as relações, inclusive nossa condição sociopolítica”, afirma. 
“Tem um mal-estar entre nós que não está sendo resolvido. Por que os nossos afetos hoje são a inveja, o medo e o ódio? questiona Márcia Tiburi

Questionada pelo público, a filósofa ainda reflete sobre o contexto nacional. “Tem um mal-estar entre nós que não está sendo resolvido. Por que os nossos afetos hoje são a inveja, o medo e o ódio? (O filósofo) Espinoza dizia que os governantes, para vencerem quando não têm poder, devem colocar tristeza no povo, e a tristeza vem do medo, da falta de esperança”, pontua Márcia.

Wagner concorda com a filósofa: “O medo tem sido usado historicamente como meio de controle e legitimação política. E estamos vivendo isso. Por isso, a alegria, o amor e a coragem são fundamentais nesses momentos. Talvez, o efeito positivo dessa crise seja a politização das pessoas, tornando as reflexões políticas cada vez mais presentes”.

Diálogos Contemporâneos 
Em sua terceira edição, o evento promovido pelo Senac Lapa Scipião busca estimular a troca de ideias e promover o pensamento moderno reunindo visões e opiniões de diferentes personalidades.

“Conversar é uma tecnologia política que pode ser usada para as melhores coisas. Tudo de bom no mundo surge a partir de boas conversas. Diálogo é algo um pouco mais profundo, não precisa acontecer porque as pessoas conversaram fisicamente, mas porque se sentiram sensibilizadas de alguma forma”, afirma Márcia. 
Wagner Moura e Marcia Tiburi Lapa Scipião

Para a filósofa, a participação de Wagner no encontro potencializa a criação de afetos positivos. “É muito bom a gente poder conversar com quem a gente gosta, e é muito importante também a gente poder gostar das pessoas em um cenário em que o ódio se tornou um afeto contagioso. Produzir esse afeto positivo nos impulsiona, nos emancipa, nos torna mais lúcidos e corajosos em relação às nossas próprias vidas”, completa.

Foi dessa maneira que Ainoha Garate e Catarina Milanini, ex-alunas do Técnico em Teatro, deixaram o evento realizado na unidade. 

“O sentimento é de identificação. Ele falou muitas coisas que abriram nosso olhar. Saio de alma lavada”, afirma Catarina.

Ainoha concorda. “É muito bom ouvir alguém com a experiência que ele tem. Dá uma tranquilidade saber que é possível trabalhar com isso e chegar a algum lugar como atriz”, diz.

Confira os cursos na área de comunicação e artes que o Senac Lapa Scipião oferece.

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Tags: Carreira de Wagner Moura, Construção de personagem, Diálogos Contemporâneos, Márcia Tiburi, Senac Lapa Scipião, Senac São Paulo, Técnico em Teatro, Wagner Moura, carreira no teatro


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