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14/08/2017 11h29min

Fotografia documental: a arte de contar histórias com a imagem

Docente do Senac Lapa Scipião traz experiências e reflexões a respeito da fotografia documental

Figura humana de costas em meio à fumaça, paramentada com penas, plumas, palha trançada e pele de cobra em indumentária indígena. Registro de Gabriela Portilho.

Gabriela Portilho, docente da área de fotografia do Senac Lapa Scipião, foi a única brasileira a participar do Festival Native de Fotografia Documental.

“Hoje, 85% de todas as fotografias veiculadas nos jornais pelo mundo são produzidas no ocidente, por homens, brancos, que vivem nos países mais ricos da Europa e Estados Unidos. Qual é o efeito direto dessa desigualdade na maneira como percebemos o mundo?”

Os dados – e a provocação – são da Agência Native, organizadora da 1ª edição do Festival Native de Fotografia Documental. Por dois dias, fotógrafos da América Latina e da África estiveram reunidos em Quito (Equador), com o objetivo de desenvolver e buscar histórias, assim como impulsionar e comercializar seus trabalhos.

Gabriela Portilho, docente da área de fotografia do Senac Lapa Scipião, foi a única brasileira a participar do festival. Formada em Jornalismo, a fotógrafa apresentou uma reportagem produzida na Amazônia, a convite da Revista Superinteressante, que abordava a colheita de guaraná em Maués, maior produtora mundial do fruto. 

“Durante três dias, essa cidade de população predominantemente indígena vive um momento catártico com a festa da colheita anual do guaraná. Nessa festa, acontecem alguns shows e também uma reinterpretação do mito de como ele surgiu, feita pela própria população, como um modo de manter esse mito vivo. Essa lenda acabou se tornando o foco principal do meu trabalho depois da edição”, relata.

Foram momentos fotografando as pessoas, os costumes, a vida na cidade, as paisagens amazônicas, para construir um portfólio repleto de registros pessoais, que ganharam vida por meio do storytelling, ou a arte de contar histórias com a imagem.

A fotografia documental busca o registro cultural ou artístico de um momento. Caminhando de mãos dadas com o fotojornalismo, eles se separam na forma de construir uma narrativa.

“O fotojornalismo ainda guarda muito essa tradição da imagem única, de uma imagem que conta toda uma história. Mas esse não é o único modo de se contar histórias. Uma série de imagens pode fazer isso de uma forma muito interessante”, conta.

Nascida em São Paulo, Gabriela faz questão de fazer um recorte de seu lugar de fala no registro dessa tradição indígena.

“O meu trabalho não é de forma alguma a tentativa de construir um retrato fiel da Amazônia ou daquele povo específico. São apenas impressões (bastante pessoais, aliás) sobre aquele lugar”, explica. 

A preocupação da docente vem da provocação feita pela Agência Native. A representatividade na fotografia documental foi tópico de discussões durante o Festival, que abordou temas como construção e desconstrução de estereótipos por meio da fotografia.

“Imagine como seria a história, se o que a gente visse fossem relatos dos portugueses feitos pelas mulheres indígenas, ou então, o período colonial contado da perspectiva dos escravos?”, questiona ela.

“O fato é que o ponto de vista do narrador nunca mudou. É o mesmo há 500 anos e isso tem um efeito drástico a longo prazo, porque simplesmente apaga algumas perspectivas históricas, normalizando comportamentos e reforçando estereótipos. A história é bem mais diversa do que esta que os livros e os meios de comunicação estão diariamente tentando nos contar. E somos hoje uma das primeiras gerações de mulheres no Brasil e a contar e protagonizar as nossas próprias histórias. Isso é algo muito significativo”.

A narrativa construída por registros fotográficos é, também, uma narrativa histórica. Ao excluir as minorias da construção dessa narrativa, acabamos com uma visão deturpada e unilateral, como Gabriela exemplifica:

“Se toda foto que vemos da África, por exemplo, reforça imagens de sofrimento ou representa o outro como exótico, que tipo de narrativa estamos construindo sobre esse continente, que é tão diverso? Será que eles gostam de ser representados assim? Quais outros pontos de vista a gente não teria sobre o Congo, por exemplo, se eles mesmos pudessem se representar? Será que estamos sobrepondo a realidade dessas pessoas com as nossas próprias imagens dizendo para o mundo como gostaríamos que eles fossem? E se perguntarmos a essas pessoas como elas querem ser representadas? Quem ganha o que com esse tipo de representação, por vezes tão estereotipada?”


Curiosidade
19 de agosto - Dia Internacional da Fotografia
A data tem origem em 1839, quando, em 7 de janeiro, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, o primeiro processo fotográfico (consistia em uma imagem fixada sobre uma placa de cobre, com um banho de prata (casquinha), formando uma superfície espelhada), desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851).

Cerca de 7 meses depois, em 19 de agosto, durante um encontro realizado no Instituto da França, em Paris, com a presença de membros da Academia de Ciências e da Academia de Belas-Artes, o cientista François Arago, secretário da Academia de Ciências, explicou o processo e comunicou que o governo francês havia adquirido o invento, colocando-o em domínio público e, dessa forma, fazendo com que o mundo inteiro tivesse acesso à invenção da fotografia. (fonte: Brasiliana Fotográfica)


Para fazer a diferença e ser uma das vozes construindo essa história, conheça os cursos na área de comunicação e artes oferecidos pelo Senac Lapa Scipião.

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