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28/09/2016 17h06min

Não basta ter uma boa voz para trabalhar em rádio

Gabriel Dudziak, Mário Marra e Roberto Nonato, jornalistas da CBN, falam sobre a importância da formação acadêmica, de estar disponível para aprender e de se renovar sempre na profissão.

Jogo rápido e vertical, cinco na defesa, categoria de base, 4ª rodada, troca de passe. Esses termos são muito comuns quando o assunto é futebol. Seja num grupo de amigos na saída do estádio ou na sala de casa durante uma partida de um clássico.

Mas, e quando três jornalistas, apaixonados pelo esporte, se juntam para conversar sobre as últimas jogadas no campo e nos bastidores do mundo do futebol?

Esse momento é bastante familiar para quem é ouvinte da CBN (Central Brasileira de Notícias), e se atualiza com o Lado B da Bola - programa apresentado pelos jornalistas Gabriel Dudziak, Mário Marra e Roberto Nonato.

Marra e Gabriel comentam os gols, as jogadas, os tropeços, as conquistas e as derrotas mais recentes do futebol internacional. E não param por aí: eles não só compartilham com os ouvintes suas análises e opiniões, mas também, as articulações do extracampo -  que podem definir os próximos capítulos de um time, estratégias dentro e fora das ‘quatro linhas’ e sempre de forma contextualizada com política, cultura e comportamento. Por isso, contam com a presença de Roberto Nonato, âncora da emissora, que traz esse contexto aos ouvintes. E também, é claro, porque ele, assim como os comentaristas, confessa ser ‘refém’ do futebol.
“...as pessoas estão querendo ficar mais bem informadas a cada dia que passa
Engana-se quem pensa que para falar de futebol com esse contexto basta acompanhar fielmente cada campeonato e os noticiários. Sim, há muito mais nos bastidores desse e de outros programas de rádio.

“Tenho a ideia de que o público pensa que o jornalista esportivo não sabe nada além do esporte. Não é assim. Há muito trabalho e estudo envolvidos”, afirma Gabriel Dudziak, que está na emissora desde 2010.

Outras ainda  -  ou as mesmas pessoas - podem pensar que para trabalhar numa rádio, basta ter uma boa voz. “A formação é fundamental. É preciso estudar, aprender sobre ética, formatos de linguagem e de texto adequados ao veículo, edições, filtragens, a importância da apuração e da checagem das informações”, ressalta Nonato.

No entendimento desses profissionais, o respeito ao ouvinte e o compromisso com a informação de qualidade são imprescindíveis. Por esse motivo, Nonato reforça a questão da checagem. “A informação só pode ser dada quando todos os lados forem ouvidos, com a certeza que é a correta, sem a necessidade de ser o primeiro a dar a notícia”, ressalta.

Todo esse cuidado com a informação associado à agilidade reflete o cotidiano da equipe. “O ouvinte quer estar informado e confia na rapidez do rádio para isso. “O twitter é rápido, mas tem que escrever, o facebook é rápido, mas tem que escrever. Instantâneo mesmo é o áudio. Não tem nada mais rápido que o rádio ainda”, reforça Gabriel.

All news: 24 horas de notícia
A CBN comemora 25 anos em 1º de outubro e Nonato está na emissora, praticamente, desde a sua fundação. Por isso, ele pôde vivenciar inúmeros momentos de transição do ‘fazer rádio’. Desde o início, a preocupação com a qualidade ao informar esteve presente, ainda mais em uma emissora em que adotava o formato all news (24 horas de notícias).

Uma emissora que apresenta notícias por 24 horas? “Naquela época, muitos pensaram que não haveria espaço para tanto assunto”, comenta Mário Marra, que atua na CBN desde 2000. “Sempre há pautas”, defende Nonato. “Depende da estrutura que a emissora disponibiliza. Se tem um número suficiente de profissionais para checagem, apuração e ouvir todos os lados, é possível produzir pautas para 36 horas por dia”.

A programação nesse formato deu certo, confirma Nonato, lembrando das coberturas do Impeachment do Collor (1992) e da CPI dos Anões do Orçamento (1993), com transmissão o tempo inteiro, com um repórter em Brasília e o âncora em São Paulo. “O resultado desse trabalho trouxe muita credibilidade e solidificação para a rádio”, salienta.

Já em 2000, lembra Nonato, essa fórmula do all news pôde ser observada por uma emissora de TV assim como na rádio. “Todos puderam acompanhar cada instante do assalto do ônibus 174 (em 12 de junho, no Rio de Janeiro). A transmissão, ao vivo, foi feita tanto pela CBN quanto pela Globo News. Era um trabalho de rádio feito na TV, pela primeira vez. Eu estava no ar e pude vivenciar a transmissão dessa história que, mesmo tendo sido trágica, era envolvente. Todos queriam saber o final”.

No entanto, rádio também tem o papel de prestador de serviço. Nesse aspecto, o all news torna-se uma ferramenta para atualização sobre previsão do tempo e sobre as condições do trânsito, por exemplo.  E nesse ponto, é importante dar os créditos à tecnologia, que trouxe muitos benefícios ao trabalho feito pelas  rádios. Nonato menciona o aplicativo Waze, que com ela pode-se orientar o ouvinte sobre qual caminho é mais vantajoso seguir. “Numa cidade como São Paulo, esse recurso é fundamental”, garante.
“Tenho a ideia de que o público pensa que o jornalista esportivo não sabe nada além do esporte.
O jornalista observa que outras rádios estão compreendendo que “as pessoas estão querendo ficar mais bem informadas a cada dia que passa. Por isso, há rádios, que eram exclusivamente musicais, dedicando pequenos blocos a notícias. Eles estão mesclando música e notícias. Esse recurso fortalece a credibilidade da emissora”, afirma Nonato.

Marra concorda e diz que, para ele, a tecnologia faz com que ele possa assistir a jogos importantes pela internet. Assim, “posso compartilhar com os ouvintes de forma mais segura”.

Contato com o mundo e com os ouvintes de forma ágil foi um grande avanço para os profissionais do rádio. “Tive a oportunidade de acompanhar toda essa evolução no contato com o ouvinte e nos estúdios. Não tínhamos computador e eu recebia cartas, depois por telefone. A resposta do ouvinte por internet e aplicativos agora é imediata, quando ainda estamos no ar, muitas vezes. Os novos canais de comunicação com o ouvinte proporcionaram mais dinamismo à programação”, conta Nonato.

“A tecnologia está a nosso favor, sempre”, comemora Gabriel - que sempre teve esse recurso à mão - por ser o mais jovem do trio. “Nosso trabalho, que era exclusivamente no estúdio de rádio, pode agora ser visto pela internet: pelo celular ou pelo site. Ou em programas com plateia, como o de hoje, transmitido ao vivo pelo Facebook”, completa Marra. “Isso humaniza. Não somos só vozes”, acrescenta Nonato.

“A resposta do ouvinte por internet e aplicativos agora é imediata, quando ainda estamos no ar.Ainda sobre as mídias, Marra entende que é preciso estar atento às evoluções da tecnologia e adaptar-se. “Saber lidar e aproveitar os recursos que a tecnologia oferece é fundamental. Precisamos nos adaptar às novas mídias. Mas, isso acontece naturalmente. Não vejo isso como uma pressão. Mas, é preciso estar disponível para essa integração ao ambiente que se renova o tempo todo, com novas formas de trabalhar”.

A esse respeito, Gabriel traz a questão de que “a velha guarda tradicionalista, que teve resistência a mudanças e absorção dessas mídias, não está mais atuante no meio”.

Um belo exemplo de profissional é o Ethevaldo Siqueira, destaca Nonato. “Ele está com 84 anos e sabe muito mais que nós três juntos sobre tecnologia. Inclusive, é a editoria que ele comenta na CBN, no programa Mundo Digital”.

Para Nonato, ainda existem desafios para o rádio: “A AM precisa se renovar. O som ainda é ruim e a linguagem não está próxima à do público jovem. Precisam melhorar o som e o formato, senão as emissoras vão perder ouvintes”.

Programa com transmissão ao vivo pelo Facebook

O Labo B da Bola foi transmitido, ao vivo, em 12 de setembro, pelo Facebook, direto do auditório do Senac Lapa Scipião. Essa ação fez parte das comemorações ao 20º aniversário da unidade e reforça o compromisso da instituição com a constante aproximação da prática da profissão ao aprendizado teórico de sala de aula.

“A presença de profissionais da área é muito importante para os estudantes, já que eles trazem o mercado de trabalho para a unidade. Eles passam muito de suas experiências na atuação. Eles são os espelhos para os alunos”, afirma Ivone Rocha, responsável pela coordenação do curso de pós-graduação em Comunicação Integrada

Igor Rocha Machado, jornalista da ESPN e pós-graduando em Mídias Digitais, se diz valorizado como aluno do Senac pela oportunidade. “Quando a gente está na sala de aula, não se sabe como realmente funciona a profissão. Só quem está trabalhando na área pode nos contar os bastidores, o dia a dia na função. E receber informações de quem está em uma grande emissora como a CBN é valioso”.

Já para André Rogério Pereira, responsável pela coordenação dos cursos de rádio da unidade, trazer pessoas atuantes no mercado reafirma o discurso aplicado durante as aulas. “Muitas vezes, os alunos de locução chegam ao curso pensando em aprimorar a voz. Mas, ressaltamos aqui a importância de extrapolar as técnicas de voz. Outros aprendizados são fundamentais para se formar um bom profissional dessa área”.

Conheça os cursos na área de rádio que o Senac oferece.


Observação: boa parte das informações desse texto é resultado de entrevista, concedida ao Portal Senac.

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Tags: CBN, Senac Lapa Scipião, aniversário de 20 anos, comunicação e jornalismo, o que faz um profissional de rádio, radialismo, rádio, áudio


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