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22/09/2016 16h10min

Sofisticação e criatividade marcam moda sustentável contemporânea

Sustentabilidade foi um dos temas do Senac Moda Informação, evento conhecido por confirmar as tendências de cada estação aos profissionais do setor

Chiara Gadaleta

Chiara Gadaleta fala sobre sustentabilidade na moda durante Senac Moda Informação

Roupas, calçados e acessórios desenvolvidos com garrafas plásticas, borrachas, retalhos de tecidos, lacres de latas de alumínio. No imaginário de muitas pessoas, esses elementos ainda remetem a produtos de baixa qualidade e estética questionável. Mas, essa foi uma das primeiras ideias desmistificadas por Chiara Gadaleta ao falar sobre moda, estilo e sustentabilidade na palestra de abertura do Senac Moda Informação, realizado em 24 de agosto no Teatro Cetip, em Pinheiros, São Paulo.

Do vestido de gala ao tênis esportivo, a ex-modelo e atual consultora de moda e sustentabilidade apresentou ao público do evento uma série de peças ricas em beleza e personalidade, produzidas por marcas que estão cada vez mais conectadas às questões socioambientais que permeiam a cadeia produtiva da moda.
“Quebramos
"Definitivamente, quebramos o paradigma de que o que é reciclado, sustentável ou orgânico é um pouco hippie, mais ou menos bonito. O mercado mostrou que é possível desenvolver bons produtos pautados nesses conceitos, e que o design aliado à sustentabilidade potencializa essa criação", disse a profissional.

Há oito anos, Chiara mapeia iniciativas do setor por meio do Ecoera, mas seu interesse pela área surgiu na virada dos anos 2000, quando começou a questionar o papel da moda naquele período. "Até então, eu tinha uma sensação clara de que a moda representava exatamente seu tempo. Mas a partir do momento que começamos a viver a urgência ambiental e social, com o planeta gritando por meio das alterações climáticas, percebi que se criou um descompasso, como se essa moda já não me representasse mais. Então, comecei a pesquisar formas da moda se aproximar desses temas", afirmou.

A urgência citada por Chiara revela um lado menos glamoroso e mais sombrio da indústria da moda, que envolve o uso excessivo de recursos naturais, métodos altamente poluentes e exploração da mão de obra.

Um exemplo próximo disso é a região do Brás e Bom Retiro, que concentra parte das confecções localizadas na capital paulista e onde são descartadas cerca de 20 toneladas de resíduos têxteis por dia, segundo a Sinditêxtil-SP. O material, que vai para um aterro sanitário e leva até 100 anos para se decompor, no caso do poliéster, poderia ser reaproveitado para composição de forração de automóveis, fios, tecidos, tapetes, sacolas de supermercado, roupas, entre outros.

Mas, de acordo com Chiara, a questão ambiental é apenas o primeiro pilar da moda sustentável. O lado social, que garante uma atuação ética com a comunidade na qual está inserida, e o aspecto econômico, que viabiliza e garante lucro ao projeto, também são fundamentais para as marcas trabalharem de maneira bem-sucedida no segmento. O quarto pilar é o elemento cultural, que leva em consideração as características regionais de produção e consumo de determinado produto.
“Nunca
Do slow ao fast fashion
O número de empresas que investem na moda sustentável cresce dentro e fora do Brasil. Durante a palestra, Chiara apresentou diversas iniciativas de estilistas, pequenos produtores e grandes redes de fast fashion.

"São marcas que querem mexer com o mercado, mudar a regra do jogo. Estamos vivendo um momento maravilhoso nesse setor. E nunca tivemos uma conexão socioambiental tão grande no nosso país", afirmou.

Parte dessas experiências vem das passarelas brasileiras. Em 2014, o estilista Ronaldo Fraga apresentou uma coleção com o primeiro tecido biodegradável do mundo, uma fibra de poliamida criada com tecnologia brasileira e que se desintegra 50% em pouco mais de um ano em aterros sanitários.
“Nunca
Em sua última coleção, Paula Raia optou por desenvolver peças com fios orgânicos e reciclados (foto ao lado). A estilista é adepta do slow fashion, que prioriza a produção artesanal de roupas atemporais, com tecidos nobres, naturais e duráveis.

O desafio aumenta quando se fala em produção em massa. Questionada pelo público sobre como unir sustentabilidade, produção em larga escala e baixo custo, Chiara defende que essa é uma questão que o mercado responderá junto. “A meta do Ecoera para este e o próximo ano é tratar este assunto com grandes magazines, esse é o primeiro passo, porque cada grande empresa encontra sua maneira de desenvolver isso”, disse.

No entanto, ela alerta que o tema já está no radar de grandes redes de fast fashion. A H&M, por exemplo, criou um programa que recebe roupas usadas, refibra e transforma em peças novas. Já o Instituto C&A lançou um projeto que prevê que todas as marcas do grupo usem algodão 100% orgânico até 2020.
“Nunca
A consultora destaca como apenas uma iniciativa movimenta a cadeia produtiva. "A partir do momento que eles solicitam essa produção à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), eles estimulam o desenvolvimento de tecnologia e produção regional, além de repercutir entre as outras empresas, que passam a incluir o tema na agenda devido à competitividade", afirmou.

Para Chiara, a importância do fast fashion na mudança de pensamento dos consumidores também é fundamental, pois essas redes conseguem falar com um número muito grande de pessoas.



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Tags: Senac Lapa Faustolo, Senac Moda Informação, Senac São Paulo, Sustentabilidade, algodão orgânico, fast fashion, moda sustentável, reaproveitamento, resíduos têxteis, slow fashion, upcycling


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