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01/08/2016 17h14min

‘Amamentação é uma questão de saúde pública e deve ser tratada com muita seriedade’

Ana Elizabete Alfredo Neves, docente do Senac Bauru, reforça a necessidade de profissionais qualificados em aleitamento materno.

Recorte de bebê mamando no seio da mãe.

De acordo com a OMS, a amamentação pode reduzir em 13% as mortes evitáveis em crianças menores de 5 anos

Imagine algo que pode salvar a vida de 800 mil crianças todos os anos. Não estamos falando de uma tecnologia de ponta ou uma nova vacina, mas de um ato que – supostamente – é inerente à espécie humana: a amamentação. O ato de alimentar o filhote exclusivamente com leite materno, realizado por todos os mamíferos de maneira natural, encontra diversos obstáculos entre as mulheres.

Por isso, desde 1992, a Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno organiza a Semana Mundial do Aleitamento Materno (Smam), que é apoiada por órgãos como a Organização Mundial de Saúde (OMS), Unicef e Organização das Nações Unidas (ONU), e ocorre de 1 a 7 de agosto.

Seis meses de aleitamento materno exclusivo e amamentação mantida por 2 anos ou mais. Essas são as recomendações da OMS, que, de acordo com o órgão, reduziriam em 13% as mortes evitáveis em crianças menores de 5 anos. No entanto, menos da metade dos bebês brasileiros se alimentam exclusivamente de leite materno pelos 180 dias preconizados pela OMS: de acordo com o Ministério da Saúde, a duração média de aleitamento exclusivo no país é de 54 dias, e de aleitamento em geral, 11 meses.

Amamentação como processo, não como evento

Mas qual é a dificuldade que as mulheres encontram em realizar um ato que deveria ser instintivo? “Amamentar é muito difícil, não tem nada de fácil”, declara Ana Elizabete Alfredo Neves, docente da área de saúde do Senac Bauru e fundadora do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (Gaame), que funciona na cidade sede da unidade.

“A gente fala que não é um evento em que a mulher vai pegar o bebê e ele vai mamar imediatamente. É um processo, e ela vai precisar de muita ajuda para uma amamentação bem-sucedida”, esclarece.

Dentre as complicações da amamentação, estão questões físicas, como o ferimento dos seios devido à pega incorreta do bebê, questões psicológicas e até sociais. Ana Elizabete afirma que o apoio é cultural e deve ser feito também por especialistas e pessoas capacitadas: “Boa parte dos profissionais não está preparada para orientar a mãe. Estamos falando de familiares, mas até alguns médicos, enfermeiros e dentistas dão informações equivocadas”, ressalta a docente.

A ideia incorreta de que o bebê pode ou deve consumir água ou chazinhos antes dos seis meses de aleitamento materno exclusivo, por exemplo, ainda é difundida não apenas por leigos, mas por profissionais da área, bem como o uso de chupetas e mamadeiras, que acompanham, inclusive, as bonecas infantis. Práticas hospitalares como a separação materno-infantil na primeira hora de vida e a complementação alimentar com fórmulas artificiais também atrapalham, muitas vezes de maneira definitiva, o sucesso da amamentação.

Orientação profissional

Ana Elizabete orienta mulheres e familiares por meio do Gaame, mas defende que não cabe somente à mãe a responsabilidade de uma amamentação bem-sucedida: “estamos estudando há 13 anos e todos os anos chegam novos dados sobre o aleitamento. A mãe não precisa ter todas essas informações, mas precisa estar cercada de pessoas qualificadas para orientá-la”.

A docente reforça a necessidade da capacitação multiprofissional a respeito de dados atualizados a respeito do assunto: “existe uma carência no mercado de profissionais para prestar este tipo de consultoria, tanto na rede pública quanto na privada, e em todas as áreas. Não tem a ver com a profissão, tem a ver com o perfil”, garante ela, que já orientou nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e até advogados no Gaame, além de reforçar as boas práticas de amamentação que fazem parte do currículo dos cursos na área de enfermagem do Senac.

Apesar de os índices de amamentação no Brasil ainda estarem abaixo das orientações da OMS, o Ministério da Saúde constatou um crescimento significativo de aleitamento materno exclusivo e prolongado de 1999 a 2009: uma ampliação de 15% de bebês abaixo de 4 meses que permanecem em aleitamento materno exclusivo nas capitais brasileiras. Ana Elizabete atribui essa melhoria ao aumento de pessoas esclarecidas sobre o tema: “A partir do momento em que vários profissionais estiverem capacitados para atuar como multiplicadores em aleitamento materno estes índices continuarão a melhorar”, acredita a docente.

A Smam

A própria Semana Mundial de Aleitamento Materno tem como objetivo esclarecer e orientar profissionais e o público em geral a respeito da amamentação. Em Bauru, os alunos do curso Técnico em Enfermagem e todos os participantes das ações recebem um certificado da Secretaria Municipal de Saúde como multiplicadores da amamentação, prontos para orientar famílias e outros profissionais.

Em 2016, a Smam caminha de mãos dadas com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). É possível associar a amamentação a cada uma das 15 metas, do enfrentamento à pobreza à educação de qualidade, reduções de desigualdades sociais e de gênero e até a temas ecológicos como a defesa da vida na terra e submarina.

Conheça também os cursos na área de saúde e bem-estar oferecidos pela unidade.

Tags: SMAM 2016, Semana Mundial do Aleitamento Materno, Senac Bauru, Senac Sp, aleitamento materno, amamentação, smam


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