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26/07/2016 18h10min

Pessoas com deficiência visual e baixa visão ganham roteiro turístico sensorial

Turma de visitantes posa em frente aos cafeeiros.

"O diferencial foi a criação de um trajeto sensorial para quem não enxerga", afirmou o docente que acompanhou a atividade

Um exemplo real de projeto integrador com potencial de impacto, inclusão e desenvolvimento social e local. Esse foi o resultado conquistado pela primeira turma do curso Técnico em Guia de Turismo do Senac Aclimação. Pensando em pessoas com deficiência visual e baixa visão, a aluna Audmara Veronese montou um roteiro turístico sensorial em uma fazenda de café na cidade de Espírito Santo do Pinhal.

Por meio de uma rede de interessados em investir na proposta, Audmara mobilizou a Secretaria de Turismo da cidade, empresários, a Fundação Dorina Nowill e entidades como a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado (Fresp), tudo sob a supervisão do docente Fábio Ortolano.

“O roteiro não é exclusivo para pessoas com deficiência visual, tanto que metade do grupo que fez o piloto era de videntes, como eu. O diferencial é a criação de um trajeto sensorial para quem não enxerga. O resultado foi incrível, tanto por dar visibilidade a um segmento com potencial quanto pela satisfação de quem participou”, diz Fábio.

Sensações

Atenta à escassez de produtos turísticos para pessoas com deficiência visual e de baixa visão, bem como à emergência do turismo de experiência, Audmara imprimiu sua marca da idealização à execução, preocupando-se com a concepção de um roteiro guiado pelos sentidos.

A proposta foi testada recentemente por um grupo de interessados. No início, houve uma dinâmica de apresentação. Audmara descreveu como estava vestida e os adereços que escolheu para aquele dia.

A primeira parada foi a Fazenda Retiro Santo Antônio, onde foram recebidos com café, leite e bolos de fubá e milho. O proprietário Jefferson Adorno contou sua trajetória e falou sobre a produção de um café que integra um projeto em harmonia com o meio ambiente. Lá, visitaram a Capela de Santo Antônio, construída em 1950, e o cafezal.

“Nos pés de café, Jefferson ensinou sobre colheita, tratamento e estoque. E fez uma surpresa: deixou o grupo plantar uma árvore nativa para registrar o momento. Nós pegamos na terra, tocamos o planta e afofamos o solo. Depois, seguimos para a sala do moinho, onde se produz o fubá. Pegamos o milho, trituramos e sentimos o pó descer pelas pedras”, conta Fábio.

No caminho para o almoço, no centro da cidade, Audmara descreveu a paisagem de pontos históricos. À tarde, na Cafeteria Loretto, recebidos pelo gerente Heitor Palermo Junior, os participantes conheceram os tipos de sementes em seus estágios de maturação e os rótulos de cafés da região.

A trilha sonora do passeio foi escolhida pelo grupo e harmonizada ao roteiro por Audmara. Na ida, rumo à fazenda, a seleção incluiu músicas caipiras de raiz que mencionavam o café. “Tocou-se Flor do Cafezal, interpretada por Inezita Barroso. No retorno, em uma noite fria e já escura, escutamos O Trem das Onze, por Adoniran Barbosa”, relata Fábio.

“Criar um roteiro para pessoas com deficiência visual requer atenção em relação a essa vivência. A audiodescrição é importante, tanto quanto a integração com as pessoas e o local. Pensei em um roteiro que valorizasse tato, olfato, audição e paladar. Na colheita do café, sentimos os grãos e percebemos seus estágios de maturação, entendemos como é a secagem e conferimos com os dentes se já haviam secado. Ouvimos o som dos grãos ainda com a casca. A torra e a moagem criaram uma explosão de aromas. Para finalizar, degustamos um café gourmet”, explica a aluna.

Ela visitou os locais duas vezes antes de definir o roteiro. “Mapeei cada detalhe para que a visita transcorresse conforme planejada. Executar o projeto foi muito mais intenso do que tudo o que eu tinha programado. Naquele dia, havia um enorme sentimento de gratidão e alegria, tanto por parte do grupo quanto por aqueles que nos receberam. Foi uma experiência transformadora. Ela nos mostrou que podemos, sim, fazer viagens incríveis enxergando com os olhos da alma”, finaliza Audmara.

Confira fotos do passeio na galeria abaixo.

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Conheça o curso Técnico em Guia de Turismo que o Senac Aclimação oferece.

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Tags: Baixa Visão, Café, Deficiência Visual, Fazenda, Guia, Inclusão, Senac Aclimação, Senac São Paulo, Turismo, Técnico


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