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29/04/2016 18h24min

Ciclo de vida da moda é sustentável?

apetrechos e costura, fitas, alfinetes, linhas, agulhas..sobre a mesa

“Você já parou para pensar em quem faz suas roupas e como a produção delas impacta o meio ambiente?”, questiona José Guilherme Diniz, mestre em Têxtil e Moda pela Universidade de São Paulo  e docente do Senac Lapa Faustolo.

A produção rápida e de grande escala na moda, também chamada de fast fashion, gera cada vez mais resíduos que são destinados a aterros sanitários. Para agravar o cenário, ainda é preciso considerar as condições desumanas, similares ao trabalho escravo, que muitas dessas empresas impõem a seus funcionários, destaca o especialista. 

Esse movimento seduz os clientes com preços mais baixos e inúmeros lançamentos e coleções resultando em compras excessivas em curtos períodos de tempo.

Por isso, segundo o docente, motivar reflexões sobre isso é o ponto inicial para mudanças de atitude rumo ao consumo consciente e ao desenvolvimento sustentável. “Para muitos consumidores, a moda é passividade e não atividade, mas a sustentabilidade se baseia na ação”, enfatiza.

Mas, afinal, o que é sustentabilidade? José Guilherme explica o termo citando a definição do relatório Nosso Futuro Comum, da Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, ou Comissão Brundtland, publicado em 1987. “É a capacidade de satisfazer às necessidades da geração presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras”, afirma.

Segundo o docente, pensar que somos visitantes do planeta Terra pode revelar o quanto a sociedade precisa mudar. “Ninguém fica feliz quando recebe uma visita e ela quer mudar os hábitos e costumes da casa. Tem que ser o contrário. Se somos visita nesse planeta, nossas ações tinham que ser adaptadas para essa casa. Mas, a gente fez a Terra se adaptar às nossas necessidades e chegou um tempo em que isso se tornou insustentável”, lamenta. 

Contudo, afirma o especialista, para que o desenvolvimento sustentável seja aplicado em sua totalidade, o conceito deve permear todo o ciclo de vida do produto. “É preciso minimizar o uso de recursos naturais em cada etapa, desde a extração inicial dos insumos para a matéria-prima, a produção das peças, distribuição e uso delas até o momento em que a roupa deixa de ser utilizada, isto é, o seu descarte”, esclarece.

Design de Moda
Apesar de serem fatores a serem considerados na decisão de compra do consumidor, a responsabilidade de tornar esse processo ambientalmente correto é das empresas.

Nesse contexto, os designers podem atuar como agentes transformadores, explica José Guilherme, pois os projetos de moda afetam diretamente a vida das pessoas e podem criar novas propostas sociais e influenciar atitudes. 

Além disso, esses profissionais são considerados formadores de opinião que delineiam tendências de comportamento. “Eles têm um papel fundamental, pois ligam o que é possível tecnicamente e tecnologicamente ao que é ecologicamente necessário”, diz.

Algumas teorias, exemplifica o docente, podem auxiliar no processo criativo, como a transversalidade abordada por Silvio Gallo (que estabelece a importância do trânsito entre os saberes), a complexidade apresentada por Edgar Morin (que evidencia a necessidade de superar a fronteira entre as disciplinas na busca pelo conhecimento) e a modernidade líquida, de Zygmunt Bauman (considera que as coisas estão prontas e propensas a serem mudadas e contrapõe a necessidade e o desejo). 

A partir desses pontos, ressalta José Guilherme, o papel do designer é buscar minimizar em seus projetos todos os problemas que são causados pela falta de consciência para uma moda mais justa. “Ele deve pensar até na forma como a fibra que compõe o tecido está sendo cultivada e extraída. Verificar como é feito o tecido e como ele vai ser utilizado na fábrica para fazer as roupas sem desperdícios. Enfim, pensar em minimizar o impacto ambiental”, afirma. 

Segundo o docente, essa metodologia provoca a humanização na moda, pois a sustentabilidade não está cravada apenas no pilar ambiental, mas é também uma questão social e econômica. 


Humanização da Moda | Fashion Revolution


Luxo X sustentabilidade
Ao contrário do que muitos acreditam, existe uma relação estreita entre o design de luxo e a sustentabilidade, pois, de acordo com o especialista, esse mercado já adota o slow fashion - uma das diretrizes da moda sustentável que incentiva o consumo consciente e retoma a conexão com a maneira como as roupas são produzidas. 

“Algumas marcas do mercado de luxo, inclusive, já retrocederam em relação ao fast fashion, diminuindo o ritmo de lançamento das coleções e repensando seus processos”, exemplifica. 

Boas práticas
A mudança nas empresas não deve, necessariamente, ser uma iniciativa do designer ou do proprietário. “Você não precisa começar uma empresa de moda consciente, mas pode ter uma atitude empreendedora na instituição que trabalha para que minimize os danos ambientais”, evidencia José Guilherme. 

E essa postura, afirma, deve ir além do mercado de trabalho e permear a vida em sociedade. Buscar alternativas como bibliotecas de aluguel de roupas, pesquisar quem faz suas roupas e o impacto dessa produção no meio ambiente para repensar e reduzir o consumo são alguns caminhos.

“Compre menos e escolha melhor. Acredite, nossas decisões têm um poder transformador”, finaliza o docente. 

Fashion Revolution
A proposta foi apresentada por José Guilherme na oficina Humanização na Moda, realizada no Senac Lapa Faustolo. A atividade compôs o evento Fashion Revolution Week 2016 promovido pelo movimento Fashion Revolution, de 18 a 24 de abril, em mais de 80 países.

Na ocasião, além de discutir o descarte de insumos da indústria têxtil e de confecção, os participantes produziram uma bandeira a partir de retalhos de tecidos. Na peça, estamparam a frase-chave da campanha Quem fez minha roupa?, em inglês.

O Fashion Revolution também foi replicado em diferentes atividades educacionais com alunos de moda de outras unidades do Senac São Paulo. 

Conheça os
cursos na área de moda que o Senac Lapa Faustolo oferece.

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Tags: Senac lapa Faustolo, agente transformador, fashion revolution é um movimento, fast fashion significa, o que é moda sustentável, o que é slow fashion


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