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20/06/2017 14h20min

Hemoterapia: setor fértil para a qualificação de profissionais

Docente do Senac Tiradentes fala sobre a história da área, ambientes educacionais, perfil profissional e principais atribuições.

Imagem de uma mão com luva cirúrgica e tubos de ensaio

Desde sua criação, a Pró-Sangue já coletou 4.648.179 bolsas de sangue (dados de junho de 2017). Parece muito, mas, em alguns períodos do ano, o volume arrecadado não é suficiente para atender à demanda. Períodos de férias escolares e inverno são as principais épocas do ano em que há uma queda considerável nas doações de sangue em hemocentros do país, afirma Anderson Soares, docente de hemoterapia do Senac Tiradentes. Essas fases, como agora, por conta de recesso das aulas, são críticas por falta de doadores e por alta na necessidade de sangue, afirma.


De acordo com a Fundação Pró-Sangue, criada em 1984, o Centro de Referência da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, coleta e processa mensalmente cerca de 12 mil bolsas de sangue que têm como destino mais de 100 instituições de saúde, entre elas o Hospital das Clínicas, Instituto do Coração e Instituto do Câncer de São Paulo.

O docente conta que no Brasil, há atualmente 69 hemocentros, segundo informações da Fundação Pró-sangue de São Paulo. A maior parte está concentrada no próprio estado, são 35 unidades e no Rio Grande do Sul, são 9 unidades. Os demais estados têm apenas um hemocentro cada.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2015, foram coletadas 3,7 milhões de bolsas de sangue, 200 mil a mais que em 2013 - uma alta de 4,55%. "Ainda assim, em termos gerais, somente 1,8% das pessoas de 16 a 69 anos doam sangue no Brasil. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera ideal uma taxa entre 3% a 5%, casos do Japão, dos Estados Unidos e de outras nações desenvolvidas. A meta agora, segundo o ministério, é ampliar o número de doações dos atuais 1,8% da população para algo em torno de 2,2% a 2,3% nos próximos cinco anos",  diz Anderson.

Nesse cenário, seja em hospitais ou bancos de coleta, a hemoterapia e o responsável pela administração do sangue são os protagonistas. Anderson Soares fala, em detalhes, sobre essa área de estudo e trabalho, assim como esclarece questões sobre o profissional e suas atribuições nesse segmento. 

Confira entrevista:

O que é hemoterapia?
É a ciência que estuda a terapêutica por meio do sangue humano e seus derivados, assim como desenvolvimento de técnicas e equipamentos de conservação e refrigeração dos produtos sanguíneos, além de métodos diagnósticos para detecção e agentes infecciosos transmitidos através do sangue humano.

No que consiste esse processo?
Consiste em um ciclo produtivo do sangue que tem seu início na captação do candidato a doador de sangue seguido pelo processamento do sangue total através de métodos físicos e químicos afim de separar os componentes do sangue e seu armazenamento até o estágio final do ciclo que é o uso terapêutico.

Em quais casos essa terapia é indicada?
Para correção de perdas agudas e crônicas como hemorragias gástricas ou por acidentes automotivos. Também é indicado para correção de anemias ou sangramentos decorrentes a doenças onco hematológicas como as leucemias e linfomas.

Qual o perfil do profissional de hemoterapia e suas principais atribuições?
Especialista em hemoterapia é o profissional que realizou graduação em cursos de saúde, com pós-graduação na área, na qual é habilitado a realizar os procedimentos técnicos, análise e libração resultados, preservação da qualidade de equipamentos, insumos, hemocomponentes e hemoderivados, e atuação na gestão da qualidade.
O técnico é um profissional de nível médio habilitado a realizar processos de captação, triagem clínica, epidemiológica e sorológica dos interessados em doar sangue, bem como a realizar coleta, processamento, controle, armazenamento, expedição e infusão de hemocomponentes, provas sorológicas e imunohematológicas, de acordo com as normas técnicas, de biossegurança e legislação vigentes.

Quais os locais em que o técnico em hemoterapia pode atuar?
O técnico em hemoterapia poderá atuar em serviços de hemoterapia públicos ou privados (banco de sangue), hospitais, clínicas e laboratórios especializados em hematologia terapêutica, bancos de cordão umbilical, placentários e de medula óssea, laboratórios de análises clínicas, empresas e serviços da área diagnóstica e de biotecnologia, bem como na produção de hemoderivados e em instituições educacionais e de pesquisa.

E o especializado, com pós-graduação?
O profissional especialista em hemoterapia, poderá atuar em bancos de sangue, de medula óssea e de cordão umbilical, e também em clínicas especializadas, hospitais e laboratórios de análises clínicas. Há oportunidades de trabalho também na indústria e no comércio de produtos biológicos, na produção e no controle da qualidade de hemocomponentes, hemoderivados, produtos, reagentes e insumos, tanto na prestação de serviços quanto na produção de pesquisas; e, na área educacional, em todos os níveis de formação.

Qual a estimativa de remuneração inicial desse profissional?
Para o profissional especialista, a faixa salarial varia de R$ 3 mil a R$ 6 mil e para o técnico, de R$ 1.700 a R$ 2.500.

Fale um pouco sobre o ambiente educacional dos cursos de hemoterapia
O laboratório de hemoterapia e biotecnologia do Senac São Paulo é um dos mais modernos do setor, possibilita ao aluno a simulação de técnicas laboratoriais específicas dos serviços de hemoterapia (ciclo do sangue), com aulas interativas e estudos de casos clínicos e laboratoriais.
Além disso, o curso conta com a tradição e o pioneirismo da instituição na formação de profissionais na área de hemoterapia, corpo docente altamente qualificado para atender aos desafios do setor, que vem passando por significativas mudanças decorrentes dos avanços tecnológicos, biblioteca acadêmica com amplo acervo da área, além de várias bases de dados assinadas.

Como essa profissão está na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério do Trabalho e Emprego?
CBO 3242-20 - Técnico em Hemoterapia, sinônimo CBO Técnico em Banco de Sangue. Já para os especialistas, existem variações conforme a formação de base (biomedicina, farmácia, entre outros).

Como o profissional pode evoluir na carreira?
O técnico e o especialista podem evoluir em conhecimento teórico e prático, por meio de cursos livres, workshops, jornadas e congressos. O Senac Tiradentes oferece cursos de aperfeiçoamento para todos os níveis, além de promover workshops, oficinas e jornadas em hemoterapia.

Há períodos do ano ou ocasiões em que esse profissional é mais solicitado?
Quando há surtos infecciosos, há mais demanda do profissional especializado, tanto na captação, coleta e processamento do sangue, quanto na realização de testes para agentes infecciosos

Comente o surgimento e a evolução dessa área.
Na era pré-científica, surgiu o primeiro relato acadêmico sobre hemoterapia no Brasil. Trata-se de uma tese de doutorado apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em setembro de 1879, de autoria de José Vieira Marcondes, filho legítimo do Barão e da Baronesa de Taubaté. Rejeitada por ser muito polêmica foi, entretanto, sustentada na Faculdade de Medicina da Bahia, três meses depois. É uma monografia que descreve experiências empíricas sobre a transfusão de sangue, na qual há a discussão se a melhor transfusão seria a do animal para o homem ou entre os seres humanos. O aspecto interessante desse trabalho é a descrição detalhada de uma reação hemolítica aguda, com alterações renais e presença da hemoglobina na urina.

Após a descoberta dos grupos sanguíneos, por Karl Landsteiner, em 1900, Brandão Filho e Armando Aguinaga foram os pioneiros nessa prática, no Rio de Janeiro. Mas, o melhor relato desta época foi em Salvador, na Bahia, quando o professor de Clínica Médica, Garcez Fróes, fez a primeira transfusão de sangue, usando o aparelho de Agote, improvisado por ele, transfundindo 129 ml de sangue do doador João Cassiano Saraiva, servente do hospital, em uma paciente operada de pólipo uterino com metrorragia importante. Em 1916, Isaura Leitão defendeu sua tese sobre transfusão sanguínea, relatando esse caso e descrevendo outros três relatos semelhantes.

Pouco depois, surgem serviços especializados, de organizações simples, constando de um médico transfusionista e de um corpo de doadores universais, de indivíduos do grupo sanguíneo universal (O), que eram selecionados e examinados, para comprovação de suas boas condições de saúde. Até a década de 40, já existiam no Brasil vários serviços de transfusão.

Quais foram as principais mudanças na área?
A exemplo do que houve em todo o mundo, as principais mudanças no sistema hemoterápico brasileiro não foram nem por intervenção dos especialistas, nem por influência direta do governo, e sim por causas aleatórias como, por exemplo, o advento da Aids e por razões econômicas. Ao longo desse processo histórico de conformação do campo, as novas possibilidades de uso do sangue propiciaram uma especialização das práticas hemoterápicas nacionais, também comprometidas com a fabricação de hemoderivados, o que hoje torna-se necessário profissionais especialistas no campo da hemoterapia autenticando seu reconhecimento como parte fundamental no tratamento de diversas patologias.

Com o crescente aumento da população e os importantes avanços tecnológicos no campo da medicina, o setor de assistência hemoterápica no Brasil continua evoluindo, hoje formada por instituições públicas e privadas dedicadas a produzir produtos e serviços para satisfazer as necessidades dos clientes, que podem ser consumidores, usuários, associados e contribuintes. Percebe-se a importância econômica nessa área, pois a prestação de serviço especializado e as exigências da capacidade científica, resulta em um setor fértil para profissionais que pretendem qualificar-se em hemoterapia.

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Tags: Senac Tiradentes, ciclo do sangue, curso de hemoterapia no senac, doação de sangue, história da hemoterapia no Brasil, profissional da saúde


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