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24/11/2015 12h49min

Economia criativa: um mercado na contramão da crise

Mulher segurando uma peça de quebra cabeça em cada mão

O que um bioengenheiro, um designer gráfico, um artesão e um desenvolvedor de softwares têm em comum? Aparentemente, são profissões bem distintas, mas todas demandam criatividade para serem desenvolvidas.

Elas fazem parte da chamada Economia Criativa, um mercado em expansão que já emprega 892,5 mil profissionais formais no Brasil, segundo o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil 2014, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O levantamento aponta que esse setor segue na contramão do cenário nacional de retração. De 2004 a 2013, houve alta de 90% nas contratações desse segmento, bem acima do avanço de 56% do mercado de trabalho brasileiro nesse período.

A participação da classe criativa no total de trabalhadores formais brasileiros alcançou crescimento relevante em quatro grandes áreas: tecnologia (+102,8%), consumo (+100,0%), mídias (+58%) e cultura (+43,6%).

No que se refere à remuneração, os números também impressionam. Ao passo que o rendimento mensal médio do trabalhador brasileiro era de R$ 2.073 em 2013, o dos profissionais criativos chegou a R$ 5.422, quase três vezes superior ao patamar nacional. 

Talento valorizado
Alécio Rossi, coordenador da área de design e arquitetura do Senac São Paulo, explica que a criatividade passou a ser um atributo muito mais valorizado nos últimos anos. “Ela possibilita criar rupturas significativas nos padrões estabelecidos por consumos de massa. Ao mesmo tempo, otimiza recursos e talentos, potencializa as relações entre as pessoas e fortalece mercados e cidades”, afirma.

Mas, o que é economia criativa? Alécio, explica: “é uma indústria que estabelece relação entre criatividade e cultura numa abordagem multidisciplinar, que lida com a interface entre economia, cultura e tecnologia, centrada na predominância de produtos e serviços com conteúdo criativo, valor cultural e objetivos de mercado”. 

Segundo o especialista, as áreas estratégicas das organizações começaram a enxergar as ideias como recurso essencial para transformar o processo produtivo. Assim, arte, design, arquitetura e cultura aparecem como diferenciais que podem agregar valor às empresas.

Desenvolvimento social
Além de fazer a diferença para o resultado corporativo, o conceito também pode transformar comunidades. Iniciativas coletivas são exemplos que ajudam a entender esse processo. Uma delas, citada por Alécio, é o BatataLab que organiza ações de mobiliário e de utilização cultural do Largo da Batata, localizado no distrito de Pinheiros, em São Paulo.

Outro exemplo é o Bela Rua, associação paulistana sem fins lucrativos que realiza projetos e intervenções urbanas participativas para transformar o espaço público em um lugar mais bonito, divertido e seguro.

De acordo com o profissional, a economia criativa colabora para o desenvolvimento social na medida em que gera benefícios econômicos a partir da produção cultural e da ocupação dos espaços públicos. 

“O contato com arte e cultura enriquece o repertório local e auxilia na resolução de problemas e desafios. Por outro lado, as atividades culturais estimulam a convivência e ajudam a aliviar as pressões do dia a dia fortalecendo a comunidade”, ressalta Alécio.

As áreas que, segundo ele, podem contribuir com o desenvolvimento de economias locais e de produção cultural são: arquitetura, design, artes visuais, gastronomia, turismo, música, artes cênicas e tecnologias.

O especialista também cita alguns princípios para a ativação de economias locais
- ter a educação e a arte como pontos de partida e de referência,
- envolver lideranças e comunidades,
- estimular a convivência com a diversidade,
- desenvolver autonomia e cidadania,
- compreender ações criativas e experimentação,
- ampliar e estimular a tolerância,
- estimular novos negócios e a produção cultural.

Para motivar o potencial criativo e empreendedor de profissionais e das comunidades o caminho, destaca Alécio, está na educação. “Ela possibilita desenvolver pessoas e instituições com autonomia para inovar em diversos segmentos proporcionando bons resultados a longo prazo e melhorando a qualidade de vida”, finaliza. 

Seminário
Participe do Seminário: Economia Criativa que o Senac São Paulo realiza, de 5 de abril a 21 de junho, em unidades da Grande São Paulo e do interior. A proposta da ação é apresentar os conceitos de economia criativa e destacar a importância da educação e a formação de profissionais para as atividades de produção cultural.

Conheça os cursos das áreas de design, de comunicação e artes, arquitetura e urbanismo  e gastronomia que o Senac São Paulo oferece.

Tags: comunicação, criatividade, design, economia criativa, educação, participação, talento, valor, valor cultural


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